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INVISÍVEIS, MAS NÃO AUSENTES



Quando morreu, no século XIX, Victor Hugo arrastou nada menos que dois milhões de acompanhantes em seu cortejo fúnebre, em plena Paris.
Lutador das causas sociais, defensor dos oprimidos, divulgador do ensino e da educação.

O genial literato deixou textos inéditos que, por sua vontade, somente foram
publicados após a sua morte.
Um deles fala exatamente do homem e da imortalidade e se traduz mais ou menos nas seguintes palavras:

"A morte não é o fim de tudo.
Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra.
Na morte o homem acaba, e a alma começa.
Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto.
Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?
Eu sou uma alma.
Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser.

O que constitui o meu eu, irá além.
O homem é um prisioneiro.
O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra.
Coloca o pé em todas as saliências e sobe até ao respiradouro.
Aí, olha, distingue ao longe a campina, Aspira o ar livre, vê a luz.
Assim é o homem.
O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade.
Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?
Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo.
De que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?
A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo.
É por demais pesado para esta terra.
O mundo luminoso é o mundo invisível.
O mundo do luminoso é o que não vemos.
Os nossos olhos carnais só vêem a noite.
A morte é uma mudança de vestimenta.
A alma, que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz.
A alma, que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz.
Na morte o homem fica sendo imortal.
A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela.
A morte é uma continuação.
Para além das sombras, estende-se o brilho da eternidade.
As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz.
Aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.
O ponto de reunião é no infinito.
Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.
Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito”.

(Victor Hugo)

Muitos consideram que o falecimento de uma pessoa amada é verdadeira desgraça, quando, em verdade, morrer não é finar-se nem consumir-se, mas libertar-se.
Assim, diante dos que partiram na direção da morte, assuma o compromisso de preparar-se para o reencontro com eles na vida espiritual.
Prossegue em sua jornada na Terra sem adiar as realizações superiores que lhe competem.
Pois elas serão valiosas, quando você fizer a grande viagem, rumo à madrugada clarificadora da eternidade.
Que Deus nos ilumine hoje e sempre!


Você descobrirá que a única maneira de escapar da dor é através da dor... 



Quando eu era menino, vi minha mãe levar um tombo quando estava tendo alta no hospital. Fiquei apavorado e pedi que ela voltasse para cama. Minha mãe contemplou o meu pequeno rosto assustado e disse: “ As pessoas caem mas depois elas voltam a se levantar. A vida é assim.”
Sob muitos aspectos, as perdas são semelhantes às quedas...
Ninguém escapa de algum tipo de perda. No início, uma família pode se ver no caos devido a uma perda e parece se desestruturar. Mas o tempo recompõe de uma forma diferente e na maioria das vezes mais rica.

A cura da perda envolve muitos passos. Não se force a viver plenamente a dor da perda. Deixe que o processo se desenrole no seu ritmo. Viva a negação se for preciso. Não se censure e nem se importe com a censura dos outros, lembrando-se que você experimentará seus sentimentos na hora devida. Você descobrirá que a única maneira de escapar da dor é através da dor...
Ao observar as pessoas que têm uma doença incurável lidarem com a perda, percebo quase sempre o mesmo processo. No início, elas tiram muitas de si mesmas, como se dissessem: “Eu estive aqui.” Depois, à medida que a doença progride, elas param de tirar tantas fotos porque compreendem que o retrato não é garantia de permanência: no melhor dos casos, as imagens acabarão sendo passadas para gerações de pessoas que nunca se conheceram. Descobrem que o mais importa é o amor que existe nelas e naqueles que elas amam. Descobrem que é possível transcender parte da perda e aquilo que há de fundamental em si mesmas e naqueles que amam não é perdido. Podem até aprender que o que realmente importa é eterno e é nosso para sempre. O amor que você sentiu e o amor que você deu nunca é perdido.

Certa noite, bem tarde, eu estava no andar reservado aos pacientes de câncer de um hospital, visitando um dos meus. No corredor, conversei com uma enfermeira que estava arrasada porque acabara de perder um paciente. “Foi a sexta pessoa que vi morrer esta semana!”, queixou-se ela. “Não consigo mais suportar isso, não posso mais ficar olhando morte após morte. É como não tivesse fim. Não sei se um dia irá terminar”.

...delicadamente segurei a sua mão e seguimos em direção a outra ala do hospital. Fizemos uma curva e entramos na área da maternidade, onde a conduzi até a divisória de vidro que nos separava dos bebês recém-nascidos. Fiquei observando o seu rosto enquanto ela começava a contemplar todas aquelas novas vidas, assimilando a cena como se nunca tivesse presenciado antes.
“Para exercer melhor sua função”, disse eu, “ você precisa vir aqui com freqüência para se lembrar que a vida não contém apenas perdas.”
Mesmo dentro do nosso sentimento de perda mais profundo, sabemos que a vida continua. Apesar de todas as perdas que possam estar bombardeando você, novos inícios brotam por toda parte. No meio da dor, a perda pode parecer interminável, mas o ciclo da vida nos cerca por todos os lados. Essa enfermeira compreendeu que tinha encarado o seu trabalho apenas como uma perda. Ela se deu conta de que esquecera de que estava ajudando a concluir vidas que haviam iniciado muitos anos antes, exatamente como as do bebês do berçário.

“Os segredos da vida” de Elisabeth Kubler-Ross e David Kessler,Ed.Sextante


O RABINO E OS FILHOS 


Narra antiga lenda que um rabino, religioso dedicado, vivia muito feliz com sua família: uma esposa admirável e dois filhos queridos.
Certa vez empreendeu longa viagem, ausentando-se do lar por vários dias. No período, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados.
A mãe sentiu o coração dilacerado de dor. No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura. Mas, uma preocupação lhe vinha à mente: como dar ao esposo a triste notícia? Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca, temia que não suportasse tamanha comoção. Lembrou-se de fazer uma prece, rogando a Deus auxílio para resolver a difícil questão.
Alguns dias depois, num final de tarde, o rabino retornou ao lar. Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos. Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos moços.
Alguns minutos depois, estavam ambos sentados à mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos. A esposa, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido:
- Deixe os filhos. Primeiro quero que você me ajude a resolver um problema que considero grave.
O marido, já um pouco preocupado, perguntou:
- O que aconteceu? Notei você abatida! Fale! Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus.
- Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas jóias de valor incalculável, para que as guardasse. São jóias muito preciosas! Jamais vi algo tão belo! O problema é esse... Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei a elas. O que você me diz?
- Ora, mulher! Não estou entendendo o seu comportamento! Você nunca cultivou vaidades! Por que isso agora?
- É que nunca havia visto jóias assim! São maravilhosas!
- Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolvê-las.
- Mas eu não consigo aceitar a idéia de perdê-las!
E o rabino respondeu com firmeza:
- Ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo! Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo.
- Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito. As jóias preciosas eram nossos filhos. Deus os confiou à nossa guarda, e durante a sua viagem Ele veio buscá-los. Eles se foram...
O rabino compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa, e juntos derramaram muitas lágrimas.

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Nossos filhos, antes de serem "nossos", são filhos de Deus. Ele os ama e os confia aos nossos cuidados durante um certo tempo, que varia de acordo com os Seus planos. O fato de os gerarmos para a vida não nos dá o direito de pais, mas apenas de genitores. Portanto, vamos curtir a vida com eles pelo tempo que Deus confiá-los a nós.


OS QUATRO MOMENTOS 


Um homem tinha quatro filhos.
Ele queria que seus filhos aprendessem a não ter pressa quando fizessem seus julgamentos.
Por isso, convidou cada um deles para fazer uma viagem e observar uma pereira plantada num local distante.
O primeiro filho chegou lá no INVERNO, o segundo na PRIMAVERA, o terceiro no VERÃO e o quarto, o caçula, no OUTONO.
Quando retornaram, o pai os reuniu e pediu que contassem o que tinham visto.
O primeiro, que chegou no inverno, disse que a árvore era feia e acrescentou: “Além de feia, ela é seca e distorcida!”
O segundo, que chegou na primavera, disse que aquilo não era verdade. Contou que encontrou uma árvore cheia de botões e carregada de promessas.
O que chegou no verão, disse que ela estava coberta de flores que tinham um cheiro tão doce e eram tão bonitas que ele arriscaria dizer que eram a coisa mais graciosa que ele jamais tinha visto.
O último, que chegou no outono, disse que a árvore estava carregada e arqueada cheia de frutas, vida e promessas...
O pai então explicou a seus filhos que todos eles estavam certos, porque eles haviam visto apenas uma estação da vida da árvore.
Ele disse que não se pode julgar uma árvore ou uma pessoa, por apenas uma estação.
A essência do que se é (como o prazer, a alegria e o amor que vem da vida) só pode ser constatada no final de tudo, exatamente como no momento em que todas as estações do ano se completam!
Se alguém desistir no INVERNO, perderá as promessas da PRIMAVERA, a beleza do VERÃO e a expectativa do OUTONO.
Não permita que a dor de uma estação destrua a alegria de todas as outras.
Não julgue a vida apenas por uma estação difícil.
Persevere através dos caminhos difíceis...
e melhores tempos certamente virão, de uma hora para outra

Luto: Viver Apesar de Tudo 



Viver é também saborear o gosto acre da morte, do luto. Não apenas da morte propriamente dita, mas das mortes transfiguradas nas inúmeras perdas que sofremos durante toda nossa existência. O menino que fui, morreu para o adolescente que chegou, que morreu para o jovem, para o adulto. Enfim, o dia de ontem morreu para o dia de hoje, o segundo anterior morreu para o segundo quem vem. O passado morre para o presente, e se o luto não for elaborado, viveremos eternamente presos ao instante anterior, onde a vida já deixou de existir, já deixou de ser uma companhia. Viver é uma cidade sem muralhas, dizia Epicuro. Nesta cidade, estamos sujeitos a tudo: a dor e o prazer, a vida e a morte.
A vida e a morte, são como dois bailarinos que sincronicamente fazem juntos todos os seus movimentos; passos, gestos e sutilezas. Dançam juntos a mesma música, a mesma coreografia. A vida enquanto presente, leva uma vantagem de milésimos de segundos da morte, enquanto passado. Porém, a linha é tão tênue e sutil, que não percebemos a diferença. Por vezes, esse luto mais cotidiano, ordinário, passa desapercebido, não damos atenção porque aparentemente são segundos banais. Entretanto, quando nos damos conta, estamos com 70, 80 anos de idade e em um leito de morte. Só então é que teremos a sensação de não termos vivido, da vida ter se esvaído como água por nossos dedos. Ficamos tão agarrados ao passado, tentando pegar o abstrato, ver o invisível, que não nos damos conta, de que o presente fluía com todas as suas possibilidades. Mas, infelizmente “não estávamos lá” para usufruir. Só agora que estamos na eminência da “última morte”, é que percebemos que sem a morte não há vida, e que aceita-la, significa a possibilidade de uma nova vida que se renova a cada instante.
A todo o momento há falta. Essa falta, de qualquer forma pode trazer dor, e quando não aceitamos, pode nos trazer sofrimento. E pelo fato de não ser aceitar, há luto. Com isso, temos a cômica, ou trágica imagem do cachorro correndo atrás do próprio rabo. O real nos nega o objeto de desejo, nós negamos que nosso desejo foi negado pelo real, o que fatalmente resulta em dor. Nos revoltamos contra a vida, e a achamos injusta, sofremos ainda mais.
A impressão é que a realidade é o grande carrasco do desejo. E na verdade o é. Todavia, a realidade também é bondosa como uma mãe que às vezes é dura sim, mas que nos ensina a viver, a amar, a usufruir o que a vida tem a nos oferecer, apesar da morte, apesar da perda. A realidade às vezes concede nossos desejos e se não estes, outros, e com o tempo, aprendemos que também podemos ser felizes com estes “outros”. A felicidade não depende das perdas, mas sim do que conseguimos ganhar, e é isso o que importa.
Nada mais certo e normal que a morte, tudo o que tem um início, fatalmente terá um fim, e todos sabemos disso, porém preferimos nos enganar pensando que tudo é eterno. Meu namoro, meu casamento, meu cachorro, meu emprego, meus pais, meus avós, eu mesmo; todos eternos e perde-los não estava no escript. O trabalho de luto é aprender a dizer sim, tanto para a vida, quanto para a morte; para os ganhos e para as perdas.
Vida Breve
Uma vida não é senão um breve instante na eternidade, independente do quanto dura esse instante, é imprescindível que seja bem vivido, do contrário, a vida será um hiato, um vazio sem sentido. Dentro de cada vida, muitas outras vidas perfilam, vidas que a todo instante deixam de ser, deixam de existir, porque outras estão à espera. E cada finalização dessas breves existências, nos trazem o luto e sua conseqüente e necessária elaboração. Este que nos possibilita o desapego, a libertação de uma das mortes de nossa vida, para que novas possam nascer.
Aquele morreu quando estava para aproveitar a vida, desgostoso por ter sido tão breve e pouco vivida, ouve-se o comentário. Sendo assim, o que se lê é: aquele nunca aproveitou a vida! Sua existência correu rápida e descolada de si mesmo, e dela, não se aproveitou ou pouco se aproveitou. E porque até então não se pôde aproveitar? Por certo temos aqui a ausência do bem viver, portanto a dificuldade em morrer. Dificuldade, porque achamos que a vida não foi suficiente, queríamos mais, pois não nos sentimos preenchidos.
Este morreu feliz, conseguiu realizar seus sonhos. Portanto, este morreu completo, e talvez com uma morte bem aceita. Quando vivemos mal, a morte nos tira a vida, e a perda é vista como um roubo. Quando vivemos bem, a morte é apenas o último estágio da vida, a perda pode até deixar um vazio, mas não a revolta, não o sofrimento sem tréguas. Este por certo, perceberá que a vida continua, mesmo após uma perda ou morte. E na eminência do próprio fim, se liberta por si mesmo da vida que tanto lhe proporcionou, e sendo ele sabedor deste fim, parte tranqüilo e sereno.
“A morte só nos tomará o que quisermos possuir”, dizia Sponville, e Freud complementa: “não sabemos renunciar a nada. Apenas sabemos trocar uma coisa por outra”. E isso, a realidade pode nos dar. Posso amar outros, ser outro, ter outros. Constantemente travamos uma luta entre nossos desejos, amores ou posses, e a realidade – os impedimentos para alcançarmos tudo o que queremos – Muitas vezes, o real é mais forte, e perdemos essa briga.
O luto pode acontecer tanto do que tínhamos e perdemos, como: emprego, empresa, casamento e morte de um ente querido. Quanto do que esperávamos ter, mas que até o momento não conseguimos, como uma promoção, o carro que não conseguiu comprar, uma paixão que nunca foi correspondida ou ganhar o prêmio na loteria. E tão maior for nosso apego ao que temos ou ao que poderíamos ter, tão maior será o sofrimento caso perdemos. Elaborar o luto é se libertar do desejo, quando ele não pode ser realizado. Isso não serve para dizer que não devemos correr atrás de nossos sonhos, ou viver intensamente nossas paixões e que não devemos empreender nosso máximo para conseguir, mas sim, para dizer que a vida continua apesar de não ter conseguido. Acredite, o mundo é generoso.
A dor do luto
O luto como já dito, carrega em si a dor, viver é estar em constante luto e elaboração do mesmo. Essa elaboração é a ponte que nos leva da dor ao prazer. Luto é aprendizagem, é experiência. O luto nos torna humanos, que sabemos, somos mortais. Portanto, a morte é nossa fiel amiga e não podemos fugir dessa fidelidade. Ela pode ser ludibriada, se postergada, atrasada, mas nunca deixará de vir ao nosso encontro, como disse ela é fiel e cumpre o que promete, cedo ou tarde. Ela nunca deixa de estar presente, para nos mostrar como num espelho, nosso corpo a todo tempo desnudado pelo real. O real é a própria morte, são as perdas, os fracassos, as decepções, as frustrações, as amputações do desejo. Entretanto, o real nos pega mesmo a contra gosto, e por vezes nos mostra exatamente o contrário, que tudo tem um fim, que tudo isso não passa de um conto de fadas. O castelo de cartas cai por terra. Dor, sofrimento, luto.
A elaboração do luto é a aceitação da realidade tal como ela é, nua e crua. É aprender a viver com a ausência, com uma perda, buscando algo novo que nos vá preencher. Nunca é claro, o mesmo preenchimento, apenas um novo. O luto é da morte, não da vida. O que morre são partes de nós, o todo continua vivo. Assim como, a cada dia milhares de células morrem em nosso corpo, porém, milhares nascem para manter o todo nas melhores condições possíveis, e pelo maior tempo possível.
Por Odair José Comin

O SENTIMENTO DE CULPA NA PERDA DE UM FILHO 


O luto não é uma temática exclusiva da contemporaneidade. É uma questão que atravessa toda história, devido ao homem ser o único ser consciente de sua finitude. Contudo, a forma de como é vivenciada a morte de um filho e o luto que se segue é subjetiva, independentemente de crenças ou conhecimento, pois gera muita ansiedade e temor.

É importante que os pais possam conversar, dividir com alguém os sentimentos que podem surgir, como a raiva, tristeza, o desânimo, a saudade. É importante também que se permitam vivenciar todos esses sentimentos e saibam que o processo de luto leva algum tempo para ser elaborado. É muito difícil conviver com isso sozinhos, a companhia de pessoas próximas efetivamente é muito importante, para a reestruturação.
A morte é uma questão fundamental com a qual vamos nos deparar, considera-se o fim, sendo um evento biológico que encerra a vida. Em sua essência, o ser humano acredita que foi criado para viver sempre, eternamente. Penetrando na realidade humana, a morte não cabe aqui como significado de endossar o propósito da criação, sendo completamente estranha. A morte provém do erro, da desobediência e da fraqueza humana. Aceitá-la é aceitar a condição de seres desobedientes, fracos, e, com isso avaliar, julgar o erro humano. Nisso reside a compreensão humana para aceitá-la como fato, o que equivale a assumir a condição humana de fragilidade (Freitas, 2000).

A perda de uma pessoa com a qual se mantém vínculos afetivos, como um filho, é uma experiência dolorosa que fere, machuca e expõe o ser humano à própria impotência. Desde o momento da concepção até a morte, a dor é um amadurecimento pessoal (FREITAS, 2000 p. 47).

Quando se perde um filho, perdem-se muitas perspectivas de futuro, pois é neles que se depositam sonhos e projetos. Um filho não é apenas uma extensão ou continuidade biológica de seus pais, mas também psicológica por ter sido investido de cuidado, atenção e carinho. A morte é vivenciada como “perda de um pedaço” de si. Quando a vida de um filho é interrompida, os pais são violentamente atingidos.

Quando se perde alguém que se ama, fica uma sensação de torpor, um protesto. Perde-se parte de si mesmo. Pode surgir culpa. Talvez se pudesse ter ajudado a pessoa que morreu. Mas não se sabe como. Sente-se solidão e um intenso sofrimento. Sofrimento indescritível, quando se trata de um filho. Foi muito esperado e acalentado. Havia sonhos e expectativas (FREITAS, 2000, p. 48).

A morte de um filho traz aos pais sensação de falha na sua responsabilidade, pois é tido como um ser frágil e indefeso que necessita de cuidado e da proteção dos adultos, por isso a sua morte causa grande frustração e culpa.

Na sociedade ocidental, a morte é encarada como um “corte” na vida e não como uma etapa dela.
Diz-se com freqüência que “Quando seus pais morrem você perde seu passado; quando seus filhos morrem, você perde seu futuro”.
Decorrente da perda vem o luto. Ele causa dor física e emocional, embora se possa reagir de modo semelhante a todas as perdas, o luto pela morte de um filho é, em geral, o mais intenso. Trata-se da interrupção, um corte em uma seqüência esperada, e por ser a morte uma perda sem retorno.

O processo de luto é essencial para que se possa superar uma perda importante. A vivência de um momento como esse se constitui como uma crise na vida do sujeito. Cada um irá reagir e se expressar de acordo com suas próprias características.
(inspirado no TCC de Priscila Jaroseski Giron e Roberta Juvenardi Daltoév)
Referências

BOWLBY, J. Apego e perda: perda: a natureza do vínculo. 3. ed. vol. 1. da trilogia/ trad. Valtensir Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 2004a.

BOWLBY, J. Apego e perda: perda: tristeza e depressão. 3. ed. vol. 3. da trilogia/ trad. Valtensir Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 2004b.

BRONBERG, M. H. A psicoterapia em situações de perdas e luto. São Paulo: Livro Pleno, 2000.
DE LAMARE, R. A vida do bebê. 39. ed. Rio de Janeiro: Bloch, 1993.

FREITAS, N. K. Luto materno e psicoterapia breve. São Paulo: Summus, 2000.

KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer: o que os doentes terminais têm para ensinar a médicos, enfermeiras, religiosos e aos seus próprios parentes. 8. ed. Trad. Paulo Menezes. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

PAPALIA, D. E. Desenvolvimento humano. 7.ed. Trad. Daniel Bueno. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

SEEWLD, F.; CHWARTMANN, B.; BURIN, C.; CORRÊA J.; BASEGIO L. A.; SARAIVA L.; SILVA L. A .; SOARES M. G.; FIRPO M. A.; GUIMARÃES T. L.; Uma dor insuportável: o luto pela morte de um filho;Revista do CEP de PA Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre. Vol.11, p.15-31. Porto Alegre, 2004.
VIORST, J. Perdas necessárias. 4. ed. Trad. Aulyde Soares Rodrigues. São Paulo: Melhoramentos, 2005.

WALSH, F.; MCGOLDRICK, M. Morte na família: sobrevivendo às perdas. Trad. Cláudia Oliveira Dornelles. Porto Alegre: ArtMed, 1998

A Teologia Hindu e a vinda de Gandhi 



Se algum momento na história da humanidade se pode dizer que uma Nação teve um porta-voz, esta Nação foi a Índia e seu porta-voz consensual na primeira metade do século XX foi Mohandas Karamchand Gandhi – Mahatma, a “Grande Alma”.

A complexa Teologia Hindu reza que há um único Deus e este se apresenta em 3 formas: Brahma, o Criador; Shiva, o Destruidor (sempre presente quando a história chega a seu final) e Vishnu, o Equilibrador (a serviço do Dharma). Quando o caos ameaça a humanidade, Vishnu toma a forma humana para recompor a ordem. Segundo o Mahabharata, Vishnu veio ao mundo como Krishna, no alvorecer da civilização indiana. Para seus contemporâneos, Mohandas Gandhi, que repudiava ser chamado assim, constituía a mais recente encarnação da divindade, portanto era chamado de Grande Alma. Devotou a sua vida à causa da Independência da Índia e a encaminhou política e religiosamente em perfeita harmonia com a Tradição de seu povo, daí o estrondoso sucesso obtido.

ALGUNS PENSAMENTOS DE GANDHI

1- Após meio século de experiência, sei que a humanidade não pode ser libertada senão pela não-violência.

2- Só se adquire perfeita saúde vivendo na obediência às leis da Natureza. A verdadeira felicidade é impossível sem verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem rigoroso controle da gula. Todos os demais sentidos estarão automaticamente sujeitos a controle quando a gula estiver sob controle. Aquele que domina os próprios sentidos conquistou o mundo inteiro e tornou-se parte harmoniosa da natureza.

3- A civilização, no sentido real da palavra, não consiste na multiplicação, mas na vontade de espontânea limitação das necessidades. Só essa espontânea limitação acarreta a felicidade e a verdadeira satisfação. E aumenta a capacidade de servir.

4- É injusto e imoral tentar fugir às conseqüências dos próprios atos. É justo que a pessoa que come em demasia se sinta mal ou jejue. É injusto que quem cede aos próprios apetites fuja às conseqüências tomando tônicos ou outros remédios. É ainda mais injusto que uma pessoa ceda às próprias paixões animalescas e fuja às conseqüências dos próprios atos.

5- Aprendi, graças a uma amarga experiência, a única suprema lição: controlar a ira. E do mesmo modo que o calor conservado se transforma em energia, assim a nossa ira controlada pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo. Não é que eu não me ire ou perca o controle. O que eu não dou é campo à ira. Cultivo a paciência e a mansidão e, de uma maneira geral, consigo. Mas quando a ira me assalta, limito-me a controlá-la. Como consigo? É um hábito que cada um deve adquirir e cultivar com uma prática assídua.

6- O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física espiritual. Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual. E de repente dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus. Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio.

7- Aqueles que têm um grande autocontrole, ou que estão totalmente absortos no trabalho, falam pouco. Palavra e ação juntas não andam bem. Repare na natureza: trabalha continuamente, mas em silêncio.

8- Aquele que não é capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros.

9- Quem sabe concentrar-se numa coisa e insistir nela como único objetivo, obtém, ao cabo, a capacidade de fazer qualquer coisa.

10- O método da não-violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de que é o mais rápido.

QUAL É A MELHOR RELIGIÃO? 

Breve diálogo entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff e
Dalai Lama.
Leonardo Boff explica:

No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos,
na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também
com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
- 'Santidade, qual é a melhor religião?'
Esperava que ele dissesse:
'É o budismo tibetano' ou 'São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo.'
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos
- o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta -
e afirmou:
'A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus.
É aquela que te faz melhor.
'Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta,
voltei a perguntar:
- 'O que me faz melhor?'
Respondeu ele:
- 'Aquilo que te faz mais compassivo
(e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta),
aquilo que te faz mais sensível,
mais desapegado,
mais amoroso,
mais humanitário,
mais responsável...
A religião que conseguir fazer isso de ti
é a melhor religião...'
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje
estou ruminando sua resposta
sábia e irrefutável.

PANTA REI 

É um trabalho impressionante dos monges budistas que fazem as mandalas de sal colorido.
Feitas com o maior cuidado e com a maior dedicação, elas são desmanchadas logo depois de prontas para demonstrar a transitoriedade das coisas na vida, mesmo que elas exijam o maior esforço.
Assim é que nós devemos encarar o dia-a-dia. E sempre prontos para começar tudo de novo, se preciso for.
Perca o referencial de vez em quando.
Saia de sua região de conforto.

Dê oportunidade ao imprevisível.
Nada é mais certo do que a incerteza.
As coisas têm o valor que nós damos a elas.

“Panta Rei” é uma expressão do pensador Heráclito,
que significa TUDO MUDA (tudo flui, nada persiste)
Ele usava como metáfora filosófica pisar num rio, que um milésimo de segundo depois de pisado, já não era mais feito da mesma água

CONHECIMENTO E SABEDORIA

Dois discípulos procuraram um mestre para saber a diferença entre Conhecimento e Sabedoria. O mestre disse-lhes: Amanhã, bem cedo, coloquem dentro dos sapatos vinte grãos de feijão, dez em cada pé. Subam, em seguida, a montanha que se encontra junto a esta aldeia, até o ponto mais elevado, com os grãos dentro dos sapatos. No dia seguinte os jovens discípulos começaram a subir o monte. Lá pela metade um deles estava padecendo de grande sofrimento: seus pés estavam doloridos e ele reclamava muito. O outro subia naturalmente a montanha. Quando chegaram ao topo um estava com o semblante marcado pela dor; o outro, sorridente.
Então, o que mais sofreu durante a subida perguntou ao colega: Como você conseguiu realizar a tarefa do mestre com alegria, enquanto para mim foi uma verdadeira tortura? O companheiro respondeu: - Meu caro colega, ontem à noite cozinhei os vinte grãos de feijão. É comum que se confunda Conhecimento com Sabedoria, mas essas são coisas bem diferentes. Se prestarmos atenção, podemos verificar que a diferença é clara e visível.
O Conhecimento é o somatório das informações que adquirimos, é a base daquilo que chamamos de Cultura. Podemos adquirir Conhecimento sem sequer vivermos uma experiência fora dos livros e das aulas teóricas. Para se ser Sábio é preciso viver, experimentar, ousar, ponderar, amar, respeitar, ver e ouvir a própria vida.
É preciso buscar, sim, o conhecimento, a informação. Então, sejamos Sábios : vivamos, amemos e compartilhemos o que há em nossos corações! E que saibamos cozinhar nossos feijões.


O Propósito da Vida



Todos nós nos perguntamos, em certo ponto, por que fomos postos no mundo e qual é o propósito da vida. É claro que existem várias visões sobre este assunto e vamos citar apenas três possibilidades.

A primeira é a visão humanista, que afirma que você deve fazer todo o possível para atingir seu pleno potencial, que deve lutar para ser o melhor que puder.

Em segundo lugar, os fundamentalistas afirmam que o propósito e a razão supremos do Homem, para viver, é glorificar seu Criador.

A terceira, como ensinaram e demonstraram, com seus exemplos, muitos grandes líderes através da história, é servir seus semelhantes. Jesus de Nazaré, Buda, Maomé, Madre Teresa e Albert Schweitzer são exemplos de pessoas que dedicaram suas vidas ao serviço dos outros.

Qualquer que seja a visão da sua preferência, existe muita sinergia e consistência em todas essas abordagens. Pode-se argumentar que servir os outros é o maior desafio aos talentos e habilidades individuais. Também é útil glorificar nosso Criador trabalhando com as pessoas e ajudando-as a sair da pobreza, do desespero e das fraquezas humanas tão comuns no mundo de hoje.

Quer você acredite que seu propósito na vida é atingir seu pleno potencial, glorificar nosso Criador ou servir aos outros, ele somente poderá ser alcançado através de sacrifício pessoal, esforço persistente e relações cooperativas com os outros. Você precisa encontrar alguma coisa maior e mais nobre que você, uma causa que agite suas emoções como nenhuma outra. Cada um de nós deve lutar para tornar este mundo um lugar melhor que aquele que encontramos.
E cada um de nós deve decidir que contribuições podemos fazer.

(do livro Pense como um Vencedor, do dr. Walter Doyle Staples, Editora Pioneira, 1995)


AINDA TOMAREMOS UM CAFÉ



Um professor, diante de sua classe de filosofia, sem dizer uma só palavra
pegou um pote de vidro, grande e vazio, e começou a enchê-lo com bolas de golfe.
Em seguida, perguntou aos seus alunos se o frasco estava cheio e,
imediatamente, todos disseram que sim.
O professor então, pegou uma caixa de bolas de gude e a esvaziou dentro do pote.
As bolas de gude encheram todos os vazios entre as bolas de golfe.

O professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio e voltou a ouvir de
seus alunos que sim. Em seguida, pegou uma caixa de areia e a esvaziou
dentro do pote.
A areia preencheu os espaços vazios que ainda restavam e
ele perguntou novamente aos alunos, que responderam que o pote agora estava cheio.

O professor pegou um copo de café (líquido) e o derramou sobre o pote
umedecendo a areia.
Os estudantes riam da situação, quando o professor falou:

"Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas.
As bolas de golfe são os elementos mais importantes, como Deus, a família e os amigos.
São com as quais nossas vidas estariam cheias e repletas de felicidade.
As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho,
a casa bonita, o carro novo, etc.
A areia representa todos as pequenas coisas.
Mas se tivéssemos colocado a areia em primeiro lugar no frasco, não
haveria espaço para as bolas de golfe e para as de gude.
O mesmo ocorre em nossas vidas.
Se gastamos todo nosso tempo e energia com as pequenas coisas
nunca teremos lugar para as coisas realmente importantes.

Prestem atenção nas coisas que são primordiais para a sua felicidade.
Brinquem com seus filhos, saiam para se divertir com a família
e com os amigos, dediquem um pouco de tempo a vocês mesmos, busquem a Deus
e creiam nele, busquem o conhecimento, estudem, pratiquem seu esporte favorito........
Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas ocupem-se das bolas de golfe em primeiro lugar.
O resto é apenas areia."

Um aluno se levantou e perguntou o que representava o café. O professor
respondeu: " que bom que me fizestes esta pergunta, pois o café serve
apenas para demonstrar que não importa quão ocupada esteja nossa vida,
sempre haverá lugar para tomar um café com um amigo



Bom Karma

Dalai Lama

Instruções para a vida
1. Tem em conta que os grandes amores e enganos comportam um grande risco.
2. Se perderes, não percas a lição.
3. Aplica a regra dos 3 erres:
Ø Respeita-te a ti mesmo,
Ø Respite os demais, e
Ø Responsabilíza-te pelas tuas ações.
4. Recorda que, às vezes, não conseguir o que queres é um
maravilhoso golpe de sorte.
5. Aprende as regras para que saibas incumpli-las quando convenha.
6. Não permitas que uma pequena discussão afete uma grande relação.
7. Quando descobrires que cometeste um erro, toma imediatamente as medidas necessárias para corrigi-lo.
8. Passa algum tempo sozinho todos os dias.
9. Abre os teus braços à mudança, mas não abandones os teus valores.
10. Recorda que, às vezes, o silêncio é a melhor resposta.
11. Vive uma boa vida honrada. Depois, quando fores mais velho e olhares para trás, serás capaz de desfrutá-la de novo.
12. Um ambiente de amor no teu lar será a base para a tua vida.
13. Quando não estiveres de acordo com os teus seres queridos, preocupa-te unicamente com a situação atual.
Não faças referências a anteriores disputas.
14. Compartilha os teus conhecimentos. É a forma de conseguires a imortalidade.
15. Sê bom para com a Mãe Terra.
16. Uma vez por ano, visita um lugar a que nunca tenhas ido antes.


A VIDA


"Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga.
Aí sim, a vida de verdade começaria.
Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade.
A felicidade é o caminho!

Assim, aproveite todos os momentos que você tem.
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo;
e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade;
Até que você volte para a faculdade;
Até que você perca 5 quilos;
até que você ganhe 5 quilos;
até que você tenha tido filhos;
até que seus filhos tenham saído de casa;
até que você se case;
até que você se divorcie;
até sexta à noite;
até segunda de manhã;
até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
até o próximo verão, outono, inverno;
até que você esteja aposentado;
até que a sua música toque;
até que você tenha terminado seu drink;
até que você esteja sóbrio de novo;
até que você morra;

E decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO...
Lembre-se:
"Felicidade é uma viagem, não um destino".
(Henfil)


MUTANTES



"Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos!
Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles.
Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente.

A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida.
A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.

Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo - a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.

Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição.
Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos.

A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.

O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia.
Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: "Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos."

Você quer saber como esta seu corpo hoje? Lembre-se do que pensou ontem
Quer saber como estará seu corpo amanhã? Olhe seus pensamentos hoje!

Ou você abre seu coração, ou algum cardiologista o fará por você!

Autor: DEEPAK CHOPRA

É indiano radicado nos EUA desde a década de 70, médico formado na Índia, com especialização em Endocrinologia nos Estados Unidos. Filósofo de reputação internacional, já escreveu mais de 35 livros, um dos mais respeitados pensadores da atualidade.


ERGA-SE



Sabe aquele momento que a gente pensa que chegou no limite das próprias forças
e que não vai mais conseguir avançar?
Quando não contemos as lágrimas (e nem devemos!)
e tudo parece um grande vazio...

Esse momento que, não importa a nossa idade,
pensamos que já é o fim...
e um desânimo enorme toma conta da gente...

Esse momento, ao contrário do que parece,
é justamente o ponto de partida!!!

Se chegamos a um estado em que não avançamos mais,
é que devemos provavelmente tomar uma outra direção.

Quando chegamos a esse ponto de tal insatisfação
é sinal de que alguma coisa deve ser feita.

Não espere que os outros construam pra você,
planeje e faça! Você é responsável pelos próprios sonhos e pela realização destes.

Nas obras da vida não precisamos de arquitetos para planejar por nós.
Com um pouco de imaginação e um muito de boa vontade podemos
reconstruir sozinhos a casa que vamos morar e o futuro que nos oferecemos.

É humano se sentir fragilizado às vezes e mesmo necessário
para que tenhamos consciência que não somos infalíveis,
não somos super-heróis, mas seria desumano parar por aí. E injusto.
Para os outros, mas principalmente para consigo mesmo.

Recomeçar é a palavra! Recomeçar cada vez,
a cada queda, a cada fim de uma estrada! Insistir!...

Se alguém te feriu, cure-se!
Se te derrubaram, levante-se!
Se te odeiam, ame!
Erga-se! Erga a cabeça!
Olhando pra baixo só podemos ver os próprios pés.
É preciso olhar pra frente.

Plante uma árvore,
faça um gesto gentil,
tenha um atitude positiva.

É sempre possível fazer alguma coisa!

Não culpe os outros pelas próprias desilusões,
pelos próprios fracassos.
Se somos nossos próprios donos para as nossas vitórias,
por que não seríamos para as nossas derrotas?

Onde errou, não erre mais!
Onde caiu, não caia mais!
Se você já passou por determinado caminho,
deve ter aprendido a evitar certas armadilhas.

Então, siga!
Dê o primeiro passo... depois caminhe!!!
Tenho certeza que a felicidade não mora ao seu lado, nem à sua frente, ela está junto de você!
Descubra-se, faça-se feliz e tenha um lindo dia!
(Letícia Thompson)

Para melhor viver a morte de um filho



Entre todos os lutos, o mais difícil é sem dúvida aqueles dos pais que perdem um filho quer seja por acidente, doença, aborto ou durante a gravidez. Deve-se considerar alguns pontos muito importantes:

1 - A morte de um filho provoca um luto profundo porque os pais se identificam muito com os filhos e vêem-nos como a sua continuação e o seu futuro. Além disso, como os pais são os primeiros e principais responsáveis pelo crescimento e proteção do seu filho, quando ele morre, sentem que falharam na sua tarefa e obrigação e isto os faz experimentar uma grande culpa.
2 - Acontece muitas vezes que, derrotados por este sentimento de culpa, um dos cônjuges tem tendência a acusar o outro da morte do filho (a). Mesmo que essa acusação nem sempre seja claramente expressa. ela faz-se sentir por uma falta de paciência e irritabilidade para com o culpado".
3 - É freqüente verificar-se, após à morte de um filho, uma quebra de comunicação entre os pais. Um deles, em vez de conseguir escutar o outro, exige que este reprima os seus sentimentos: "Para de chorar... deixa de falar nele(a), isso não o(a) fará voltar..." Este, não se sentindo compreendido naquilo que está sentindo, tem tendência a deixar de comunicar
4 - Muitas vezes o luto dos pais é feito de forma completamente diferente e até oposta. Cada um, por sua vez, vive período de dor aguda seguidos de certa melhoria. Mas quando um consegue atingir esta fase, sente-se arrastado pelo outro que entra numa nova fase de "depressão”. É assim que, para evitar esta dolorosa situação, os cônjuges chegam a evitar-se um ao outro.
5 - Os pais têm que perceber que são pessoas únicas e que vão viver o luto de forma diferente. Um poderá exprimir abertamente as suas emoções enquanto que o outro as recalcará. Um começará a trabalhar sem parar enquanto que o outro se sentirá sempre cansado. Um gostará de lembrar recordações e o outro há de querer esquecê-las. É preciso muita compreensão e tolerância para deixar que cada um faça o seu luto à sua maneira, sem se sentir ameaçado.
6 - A intensidade do luto varia de acordo com a relação que cada um mantinha com o seu filho, as aspirações e expectativas sonhadas para ele (a). A intensidade emotiva do luto de um dos pais poderá parecer desproporcionada em relação à do outro.
7 - A morte de um filho pode perturbar a vida sexual do casal. Num pode verificar-se um aumento de apetite sexual enquanto que no outro acontecerá o contrário. E esta perturbação pode durar até dois anos após a morte do filho. É muito importante que, desde logo, haja um diálogo franco entre os cônjuges a respeito da sua vida sexual. Por vezes, é necessário recorrer à ajuda de um profissional.
6 - As mudanças súbitas provocadas pelo luto de um filho podem ser fonte de mal entendidos e conflitos entre os cônjuges. Um deles poderá entrar num estado de confusão não sabendo como adaptar-se à evolução rápida do outro.
9 - Para atravessar a dor da morte de um filho, o casal terá por vezes que procurar o ajuda de um profissional.
10- Fala-se muitas vezes de uma gravidez que não chegou ao fim como de "um Deus silencioso" porque esta perda passa despercebida. É um luto que, embora seja vivido de forma dolorosa principalmente pela mulher não é conhecido ou reconhecido pelas pessoas com quem ela convive. Acontece que a mãe em luto evita falar no assunto e guarda com ela a sua tristeza, Isto pode dar origem ao desenvolvimento de perturbações somáticas ou psicossomáticas.
11- Acontece algo muito parecido com o aborto. A maior parte das vezes é tudo feito secretamente de forma a que a perda da criança não é sequer conhecida. A mulher, confrontada com a decisão de fazer o aborto sente-se dividida: uma parte dela quer ficar com a criança. A outra parte sente-se incapaz de assumir tal responsabilidade. Acontece que, depois de um aborto, um dos cônjuges desenvolve algum ressentimento para com o outro que pode muitas vezes degenerar em divórcio porque a mulher sente que o marido não a acompanhou nem a encorajou a ficar como seu filho.

Jean Manbourquette

Auto-estima: o prazer de se olhar no espelho



Algumas pessoas não parecem fazer nenhum esforço para sentir-se bem consigo mesmas. Outras, no entanto, olham no espelho e nunca ficam felizes com o que vêem. Por que?

Auto-estima é o conjunto de crenças e atitudes que você tem em relação a si mesmo e ao pensamento de outros com relação às suas capacidades.
Auto-estima é ter amor próprio, é se gostar, é ser positivo em relação aos acontecimentos da vida, por piores que pareçam.
Auto-estima é levantar ao amanhecer e lembrar que você está vivo para mais um dia e agradecer ao Ser Supremo por sua vida. É olhar-se no espelho e se achar lindo e gostosão, mesmo com uns centímetros a mais na cintura, cabelos faltando ou muitos já brancos.
Ter auto-estima é ter autoconfiança, é ser feliz, ter auto-respeito, ser seguro, ser humilde, franco e transparente.
É gostar do mundo.”

Auto-estima nasce com a gente ou vamos adquirindo?

A nossa auto-estima é construída a cada momento de nossa vida. E começa com um ato sexual amoroso, de respeito, de aceitação e responsabilidade por uma vida que pode estar sendo gerada. Depois, pelos pensamentos positivos da mãe, pelas conversas com o bebê. É construída por um pré-natal correto e por um parto tranqüilo. Até mesmo o famoso “tapinha no bumbum” ajuda a moldar nossa auto-estima. A auto-estima é construída pela nossa educação, pelos ambientes em que vivemos e pelas pessoas com quem convivemos.

Então, sem uma educação adequada ou um ambiente saudável uma criança vai ter problemas com a sua auto-estima?
Sim, as chances são grandes. Porém, o mundo está cheio de exemplos de pessoas que superaram a tudo e viveram suas vidas de forma digna e feliz.

Como saber se a minha auto-estima está baixa?

Convivemos diariamente com pessoas que sinalizam uma “baixa-estima”. São pessoas que não confiam em seu potencial, que não se cuidam, pessoas que reclamam demais, pessoas que querem aparecer demais. Estes sinais, embora não signifiquem necessariamente problemas de auto-estima, sugerem alguma dificuldade nesta área.

Não se vestir bem ou adequadamente. Vestir-se bem não é usar roupa de grife ou mesmo o top da moda, mas vestir-se com roupas adequadas ao ambiente que você freqüenta, sóbrias, limpas, passadas, com cheiro de limpa, com calçados limpos.

Não procurar ter uma aparência saudável. A roupa também ajuda a melhorar a aparência, mas não é só isso que melhora o astral. Mulheres maquiadas e penteadas sem exageros, homens de barba feita ou bem aparada, cabelo penteado, pessoas com cheiro de banho, com olhos abertos e atentos, cabeça erguida, um lindo sorriso no rosto, isto tudo melhora a aparência, e garanto, faz você se sentir um vencedor mesmo não querendo...

Viver reclamando que não consegue aprender nada, que ninguém gosta de você, que todos o desprezam, a vida está difícil etc. Vá a luta! Ocupe seu espaço na vida! Se você ficar olhando o trem da vida passar ficará o tempo todo no mesmo lugar. Entre nesse trem e viva a vida como passageiro. Vigie seus pensamentos, olhe a vida com os olhos do amor, seja feliz.

Fazer das doenças, de coisas negativas e até mesmo da vida alheia seus assuntos prediletos. Novamente, vigie seus pensamentos, pois o seu inconsciente pode se acostumar com tantas coisas ruins e além de te deixar de baixo astral pode resolver lhe presentear com tudo aquilo que você tanto pensa. Levante a cabeça! Vista-se de campeão.

Não gostar ou ter medo de abraçar, de sorrir, de beijar, ou mesmo de ser abraçada ou beijada. Não gostar do dia do seu aniversário. Anuncie ao mundo que você está vivo e quer ser feliz. Este sentimento irá tomar conta de seu coração e de sua mente, lógico que sempre com uma boa dose de bom senso, mas faça, muitas pessoas vão querer estar do seu lado.

Ser arrogante, presunçoso, se achar sempre o máximo. Aproveitar-se do desempenho alheio para se valorizar, gostar de levar vantagem em tudo, fazer questão de se mostrar muito seguro de si e gostar de estar em evidência. Este perfil de pessoas é muitas vezes confundido. Dá a impressão falsa de que você está cheio de auto-estima, mas cuidado, muita coisa pode se esconder por traz de tantas penas de pavão, como insegurança, necessidade de reconhecimento e valorização, solidão, incompetência etc. Reconhecer nossas imperfeições para mudar e valorizar os nossos pontos fortes e criar relacionamentos sinceros e duráveis. Quando traímos nossos valores, traímos nosso inconsciente e nossa auto-estima também.

Não ter objetivos, viver ao “sabor dos ventos”. Não ter opinião e ser uma “Maria vai com as outras”. Estabeleça objetivos para sua vida, de curto e de longo prazo. Organize-se para atingi-los. Escreva o que, quando e como quer os seus objetivos. Vigie seus pensamentos e construa o seu futuro.

Não olhar nos olhos ou estar sempre de cabeça baixa ou, mesmo, não gostar de conviver socialmente, nas festinhas de amigos, restaurantes, show, turismo etc.

Valorize-se, acredite em seu potencial, não tenha nada a esconder, tenha uma vida transparente e digna, valide-se. Em estatística, validar algo é testar e reconhecer o valor do resultado. Na vida, validar é reconhecer o seu potencial, e mais, o potencial das pessoas que convivem com você. Validar é ensinar, parabenizar, abraçar, beijar, sorrir, corrigir, encaminhar, dizer obrigado, por favor, levantar o polegar em sinal de positivo. Valide mais os outros, certamente os outros vão querer estar sempre perto de você e vão validá-lo. Cuide bem de seus relacionamentos sociais.

Se sua auto-estima vai mal, a culpa é sempre dos outros?

A todo o momento em nossas vidas estamos sujeitos a receber através de olhares, de comentários, de avaliação escrita ou de acontecimentos uma carga de críticas que podem derrubar a nossa auto-estima. Mas nós temos o poder de decidir se estas coisas vão ou não nos afetar.

Nossa auto-estima vai mal por nossa culpa, porque nós permitimos que outros pilotem o avião de nossas vidas. Se o avião bater em algum prédio, fomos nós que permitimos.

Qual é o papel dos outros no desenvolvimento ou não de nossa auto-estima?

Nossa auto-estima pode ser moldada pela nossa educação e pelo ambiente em que vivemos, mas isto apenas enquanto não aprendemos a tomar decisões ou enquanto dependemos de outros para tocar nossa vida.

A partir do momento em que você tem consciência para decidir sobre o que quer e o que não quer para sua vida, você não permite que os outros afetem sua auto-estima. Não é fácil, mas é uma questão de decisão, de querer ou não estar bem.

Agora, os “outros”, ou melhor nós, temos um papel fundamental para elevar a estima dos outros. Fazemos isto dando atenção, aconselhando às vezes, pegando na mão, sorrindo, mas o fundamental e é ouvir muito. Fazendo isso estaremos elevando a nossa estima. O que mandamos para a vida ela nos devolve potencializado.

Ouvi certa vez, de um amigo, que quando partirmos desta vida seremos muito cobrados pelo bem que deixamos de fazer pelos outros, mais até do que por aquilo que realizamos de bom. Muito do que escrevo ou falo não são palavras minhas, mas ensinamentos que recebi de outros através de diálogo, livros, estudos e observações. Acredito que tenho o dever de compartilhar e isto me faz bem.

Que outras formas existem de lidar com nossa auto-estima que não dependam tanto da aprovação ou não de terceiros?

Penso que mesmo trancando-se em casa para não ver mais a cara de ninguém ou mesmo quando partimos desta vida nunca deixamos de ser alvos de críticas e comentários destrutivos, negativos e muitas vezes injustos. A avaliação de terceiros deve ser encarada como crescimento, mesmo a avaliação negativa.

Certa vez, ouvi a seguinte frase de uma pessoa que considero muito: “Bendito sejam os vencedores que se vangloriam de suas qualidades e apontam nossos defeitos, pois mostram os nossos erros e o caminho para o sucesso.” Ouvi esta colocação de Tadashi Kadamoto. Não sei se é de sua autoria e nem se são exatamente estas as palavras, mas elas marcaram um momento em minha vida.

Acredito que encarando a crítica desta forma enfrentaremos os momentos difíceis com sabedoria e dignidade. Com certeza ainda vai doer, mas com menor intensidade e por um tempo menor.

Existem formas ou técnicas ou truques para desenvolver a auto-estima?

Ame-se incondicionalmente. Admire-se muito, acostume-se com sua imagem. Procure um bom fotógrafo e faça um retrato com uma roupa de “casamento”. Seja modelo por algumas horas. Admire seus traços, seus olhos, seu jeito. Filme-se com uma câmera caseira. Converse, cante, ria e fale com você mesmo e depois assista ao filme muitas vezes, até se acostumar com sua voz e imagem. Repare que em seu jeito tem muita coisa para ser admirada e talvez você seja muito parecido com pessoas de quem que você gosta, então você também é especial.

Leia muito, leitura saudável, livros de auto-ajuda.

Olhe para os lados e perceba que há pessoas em pior situação que você. Visite orfanatos, hospitais, lares de idosos. Distribua carinho e sentirá uma energia fantástica tomando conta de você.

Desperte seu lado intelectual. Estude, faça cursos, participe de palestras, leia livros técnicos. Agregue valor a sua empresa chamada Você S/A. Você será notado, requisitado.

Tenha uma crença espiritual. Confie em seu Ser Supremo, seu Deus, o Ser de Luz, dentro de sua crença. Ele sabe responder as suas dúvidas.

Exponha-se mais, arrisque-se, mostre-se ao mundo. Viva em sociedade. Crie relacionamentos sinceros e duráveis. Escreva cartas, telefone, talvez até valha a pena arrumar um profissional especializado para te ouvir e te guiar.

Ame-se! Seja feliz! Arrume um amante! Um texto que recebi recentemente de uma amiga dizia que temos que ter um amante para sermos felizes, seja um amante-trabalho, um amante-estudo, um amante-filhos-para-cuidar, livros para ler, internet para bate-papo, um amante-esporte para praticar, quadros para pintar, ou mesmo um amante-parceiro que te respeite e que pode ser até o que você já tem, mas todos devemos nos ocupar com nossos amantes e ser felizes.

Adaptação do texto de Marcos Antonio Françóia

A lição da culpa



Há alguns anos, Sandra ficou encantada quando Sheila, sua melhor amiga, convidou-a para ser dama de honra em seu casamento. No dia, Sandra foi em seu carro novo buscar a noiva para levá-la à igreja.
Estava chovendo e Sandra estacionou na garagem aberta do prédio de Sheila. A dama de honra ajudou a noiva a carregar para o carro as roupas que iria trocar depois da cerimônia e a bagagem da lua-de-mel. Sandra estava prestes a se sentar no banco do motorista quando Sheila disse: “Quero dirigir”
“Você não pode ir dirigindo pra seu próprio casamento!”
“Por favor, insistiu Sheila. “Isso vai me distrair e evitar que eu fique pensando em um milhão de coisas, inclusive que o sol decidiu não comparecer ao meu casamento.”

Sandra concordou e lá se foram elas. Percorreram os poucos quilômetros até a igreja enfrentando um verdadeiro temporal. De repente, o carro derrapou, Sheila perdeu o controle da direção, o carro bateu em um poste e a noiva morreu instantaneamente. Sandra quebrou alguns ossos, mas sobreviveu. Ou seja, sobreviveu fisicamente. Sua psique, no entanto, focou gravemente ferida.

Até hoje, vinte anos depois, Sandra é atormentada pelo que aconteceu naquele dia. “Se ao menos eu estivesse dirigindo”, queixou-se ela, “Sheila ainda estaria viva.”

Fiz algumas perguntas a Sandra enquanto conversava com ela. “Você tem certeza absoluta de que Sheila teria sobrevivido se você estivesse na direção? Você sabia que ia acontecer um acidente? Você sabia que ela ia morrer? Você sabia que iria sobreviver e ela não?” a resposta a todas essas perguntas foi não.

“Não, mas eu estou viva e ela morreu!”

Estava claro que Sandra ainda era incapaz de se livrar da culpa. Perguntei: “Se as coisas tivessem acontecido ao contrario e você tivesse morrido, o que você gostaria que Sheila lhe dissesse? Em outras palavras, se em vez de você, fosse ela que estivesse aqui, e você pudesse falar com ela, o que lhe diria? Se você visse sua amiga, décadas depois, ainda atormentada pela culpa, o que você lhe diria a respeito do acidente?”

Sandra levou um minuto para realmente se colocar no lugar da amiga.
“Eu diria: era eu que estava dirigindo, e eu era responsável pelas minhas decisões. Ninguém me obrigou a dirigir e ninguém poderia ter me impedido. Era o dia do meu casamento e eu não teria aceito um não quando disse que queria dirigir”. Os olhos de Sandra se encheram de lagrimas e ela continuou: “Eu diria: Não foi sua culpa. Aconteceu. Não quero que você desperdice a sua vida se sentindo culpada”.
 

Por que temos medo da morte?



O que é medo


Um sentimento demonstrado pelo receio, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Pavor é a ênfase do medo.
Dentre os medos, a morte sempre foi aquele bicho papão terrível, visita indesejável, de tal modo que ninguém quer pensar nela. Mas será essa atitude saudável? Não seria melhor ponderarmos um pouco sobre o que ela é, na realidade, e como lidar com ela?

Há como evitar esse medo?

De maneira geral não. Não se trata apenas do medo do desconhecido, mas do desconhecimento de nossos próprios sentimentos, da dificuldade que temos em pensarmos no fato antes da ocorrência. Achamos que só vai acontecer com os outros e, porque a situação não nos gera prazer, evitamos mencioná-la em nossas reflexões.

E, como reagem as pessoas?

Pessoas existem que sabem que manteriam a tranqüilidade diante de uma morte decorrente de uma doença, mas que mantém duvidas quanto à reação da morte em um acidente ou fato inesperado. Outras pessoas, personalidades, que se cobram muito, que têm crises de consciência, que agasalham sentimentos de culpa têm realmente muito medo do que acontecerá depois.

"Para morrer bem é preciso viver bem", ensinava Confúcio.
Para viver bem basta seguir o ensinamento de Jesus: "Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo".


Como saber se a minha auto-estima está baixa?



Convivemos diariamente com pessoas que sinalizam uma “baixa-estima”. São pessoas que não confiam em seu potencial, que não se cuidam, pessoas que reclamam demais, pessoas que querem aparecer demais. Estes sinais, embora não signifiquem necessariamente problemas de auto-estima, sugerem alguma dificuldade nesta área.

Não se vestir bem ou adequadamente. Vestir-se bem não é usar roupa de grife ou mesmo o top da moda, mas vestir-se com roupas adequadas ao ambiente que você freqüenta, sóbrias, limpas, passadas, com cheiro de limpa, com calçados limpos.

Não procurar ter uma aparência saudável. A roupa também ajuda a melhorar a aparência, mas não é só isso que melhora o astral. Mulheres maquiadas e penteadas sem exageros, homens de barba feita ou bem aparada, cabelo penteado, pessoas com cheiro de banho, com olhos abertos e atentos, cabeça erguida, um lindo sorriso no rosto, isto tudo melhora a aparência, e garanto, faz você se sentir um vencedor mesmo não querendo...

Viver reclamando que não consegue aprender nada, que ninguém gosta de você, que todos o desprezam, a vida está difícil etc. Vá a luta! Ocupe seu espaço na vida! Se você ficar olhando o trem da vida passar ficará o tempo todo no mesmo lugar. Entre nesse trem e viva a vida como passageiro. Vigie seus pensamentos, olhe a vida com os olhos do amor, seja feliz.

Fazer das doenças, de coisas negativas e até mesmo da vida alheia seus assuntos prediletos. Novamente, vigie seus pensamentos, pois o seu inconsciente pode se acostumar com tantas coisas ruins e além de te deixar de baixo astral pode resolver lhe presentear com tudo aquilo que você tanto pensa. Levante a cabeça! Vista-se de campeão.

Não gostar ou ter medo de abraçar, de sorrir, de beijar, ou mesmo de ser abraçada ou beijada. Não gostar do dia do seu aniversário. Anuncie ao mundo que você está vivo e quer ser feliz. Este sentimento irá tomar conta de seu coração e de sua mente, lógico que sempre com uma boa dose de bom senso, mas faça, muitas pessoas vão querer estar do seu lado.

Ser arrogante, presunçoso, se achar sempre o máximo. Aproveitar-se do desempenho alheio para se valorizar, gostar de levar vantagem em tudo, fazer questão de se mostrar muito seguro de si e gostar de estar em evidência. Este perfil de pessoas é muitas vezes confundido. Dá a impressão falsa de que você está cheio de auto-estima, mas cuidado, muita coisa pode se esconder por traz de tantas penas de pavão, como insegurança, necessidade de reconhecimento e valorização, solidão, incompetência etc. Reconhecer nossas imperfeições para mudar e valorizar os nossos pontos fortes e criar relacionamentos sinceros e duráveis. Quando traímos nossos valores, traímos nosso inconsciente e nossa auto-estima também.

Não ter objetivos, viver ao “sabor dos ventos”. Não ter opinião e ser uma “Maria vai com as outras”. Estabeleça objetivos para sua vida, de curto e de longo prazo. Organize-se para atingi-los. Escreva o que, quando e como quer os seus objetivos. Vigie seus pensamentos e construa o seu futuro.

Não olhar nos olhos ou estar sempre de cabeça baixa ou, mesmo, não gostar de conviver socialmente, nas festinhas de amigos, restaurantes, show, turismo etc.

Valorize-se, acredite em seu potencial, não tenha nada a esconder, tenha uma vida transparente e digna, valide-se. Em estatística, validar algo é testar e reconhecer o valor do resultado. Na vida, validar é reconhecer o seu potencial, e mais, o potencial das pessoas que convivem com você. Validar é ensinar, parabenizar, abraçar, beijar, sorrir, corrigir, encaminhar, dizer obrigado, por favor, levantar o polegar em sinal de positivo. Valide mais os outros, certamente os outros vão querer estar sempre perto de você e vão validá-lo. Cuide bem de seus relacionamentos sociais
 
COMO PODEM AJUDAR OS AMIGOS E FAMILIARES?



A família e os amigos podem ajudar a pessoa em luto passando tempo com ela.


Não se trata de falar com ela sobre o sucedido, mas antes de estar com ela e demonstrar que estão presentes para o que for necessário neste período de dor e tristeza.

É importante que a pessoa em luto, se necessitar, tenha alguém com quem chorar e falar sobre a perda sentida, sem que, aquele que a acolhe esteja permanentemente dizendo para se recompor e refazer a sua vida.

Com o tempo, ela se recompõe, mas antes disso terá de chorar a pessoa perdida e de falar sobre ela. Se algumas pessoas têm dificuldade em perceber porque é que elas se mantêm sempre no mesmo assunto, ao invés de o ultrapassar, o fato é que este processo deve incluir estas fases para ultrapassá-lo. Só desta forma a pessoa em luto terá a oportunidade de nos dizer o que deseja e como se sente.

Não nos devemos esquecer que datas importantes (o dia do aniversário, do casamento, etc.) poderão ser particularmente difíceis de reviver e pôr a pessoa em luto participando ativamente na preparação de tais celebrações poderá ajudá-la a não se sentir tão sozinha.

É importante dar o tempo necessário à pessoa em luto para que o possa ultrapassar, pois de outra forma poderá vir a ter problemas no futuro.


JÁ APRENDEMOS QUE



. por pior que seja um problema ou situação, sempre existe uma saída.


. que é bobagem fugir das dificuldades. Mais cedo ou mais tarde, será preciso tirar as pedras do caminho para conseguir avançar.

. perdemos tempo nos preocupando com fatos que muitas vezes só existem na nossa mente.

. é necessário um dia de chuva para darmos valor ao Sol, mas se ficarmos expostos muito tempo, o Sol queima.

. heróis não são aqueles que realizam obras notáveis, mas os que fizeram o que foi necessário e assumiram as conseqüências dos seus atos.

. não importa em quantos pedaços nosso coração está partido, o mundo não pára para que nós o consertemos.

. ao invés de ficar esperando alguém nos trazer flores, é melhor plantar um jardim.

. amar não significa transferir aos outros a responsabilidade de nos fazer felizes. Cabe a nós a tarefa de apostar nos nossos talentos e realizar os nossos sonhos.

. o que faz diferença não é o que temos na vida, mas QUEM nós temos. E que boa família são os amigos que escolhemos.

. as pessoas mais queridas podem às vezes nos ferir. E talvez não nos amem tanto quanto nós gostaríamos, o que não significa que não amem muito, talvez seja o máximo que conseguem. Isso é o mais importante.

. toda mudança inicia um ciclo de construção, se você não esquecer de deixar a porta aberta.

. o tempo é precioso e não volta atrás. Por isso, não vale a pena resgatar o passado. O que vale a pena é construir o futuro.

.que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

.a alegria não está nas coisas, está em nós.

BEM VINDO À HOLANDA



Frequentemente sou solicitada a descrever a experiência de dar à luz a uma criança com deficiência – Uma tentativa de ajudar pessoas que não têm com quem partilhar essa experiência única, a entendê-la e imaginar como é vivenciá-la.

Nestas oportunidades reflito:

Ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias para a Itália.
Você compra montes de guias e faz planos maravilhosos. O Coliseu, o Davi de Michelangelo, as gôndolas em Veneza.
Você pode até aprender algumas frases em italiana. É tudo muito excitante.

Após meses de expectativa finalmente chega o grande dia! Você arruma suas malas e embarca.
Algumas horas depois você aterrissa. O comissário de bordo diz:
“Bem vindos à Holanda!”

Holanda? O que ele quer dizer com Holanda? Eu escolhi a Itália. Toda minha vida sonhei em conhecer a Itália!
Mas houve uma mudança no plano de vôo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar.
A coisa mais importante é que eles não te levaram a um lugar horrível, desagradável, cheio de pestilência, fome e doença. É apenas um lugar diferente.

Com esta nova realidade você deve sair e comprar novos guia. Deve aprender uma nova linguagem. Provavelmente você irá encontrar um novo grupo de pessoas que nunca encontrou antes. É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas, após algum tempo, você pode respirar fundo e olhar ao redor e começar a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrandt’s e Van Gogh’s.

Mas, todas as pessoas que você conhece estão ocupadas indo e vindo da Itália, estão sempre comentando sobre o tempo maravilhoso que passaram lá. E, por toda a sua vida, você dirá: “Sim, era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu havia planejado.”
E a dor que isso causa, nunca irá embora porque a perda desse sonho é extremamente significativo.

(Autor desconhecido)

E depois, o que acontece?

Saiba como as religiões encaram a perspectiva de vida após a morte. Embora de formas diferentes, todas acreditam que a Terra não é a última morada.

Aos poucos, a vista fica embaçada. O corpo perde a força. O coração bate cada vez mais devagar... Devagar... Até parar por completo. A respiração cessa, o sangue deixa de circular e o corpo esfria. Não há mais vida. O medo de enfrentar esse momento acompanha o homem desde a infância. Um temor provocado por inúmeras dúvidas. Será que vai doer? Vou encontrar de novo com minha família? Existe vida após a morte?
As religiões buscam acalmar essa angústia confirmando, de diferentes maneiras, a imortalidade do espírito. Nesse contexto, a fé nos consola e dá sentido à vida, pois explica de onde viemos e para onde vamos.
A crença da vida após a morte depende do período histórico. Por exemplo: os antigos egípcios acreditavam que as pessoas podiam voltar do mundo dos mortos. Por isso, mumificavam o corpo a fim de preservá-lo para quando o espírito retornasse à vida.

A idéia da alma imortal — que sobrevive à morte do corpo — ganhou força depois com a propagação do cristianismo. Mas judeus, budistas e muçulmanos também crêem na vida após a morte. Só não explicam em detalhes como ela é. A doutrina espírita é a que mais se preocupa em desvendar os mistérios da vida fora do corpo físico. Seus fundamentos baseiam-se em informações ditadas pelos que já morreram. ‘‘Se existem espíritos, por que eles não poderiam voltar para se comunicar com os seus’’, diz o Livro dos Espíritos (um dos pilares da doutrina). Veja abaixo como qual crença você mais se identifica.

A morte, segundo as religiões

Cada crença prega, à sua maneira, a imortalidade da alma. Conheça os rituais fúnebres de cada religião e a forma como eles encaram a existência após a morte

Budismo

Enterro: Deve-se queimar incenso durante o velório. O corpo é colocado num caixão com um rosário budista nas mãos. Um ou vários bonzos (iniciado nas escrituras sagradas de Buda) são chamados para celebrar o rito de despedidas finais. A cremação é recomendada.

Depois da morte: o falecimento não é o oposto da vida, mas parte de um processo de evolução do espírito. Não se pode experimentar plenamente a vida sem se preparar para a morte. O homem não é julgado por Deus, mas por sua consciência e ações. A alma reencarna 49 dias depois para cumprir o karma (resultado das ações realizadas nesta vida).

Espiritismo

Enterro: Geralmente, algum palestrante é chamado para falar sobre a ‘‘desencarnação’’ (os espíritas não dizem morte. Para eles, o espírito não morre nunca. Ela apenas deixa o corpo e volta para o mundo espiritual de onde veio).

Depois da morte: a alma (ou espírito) deixa o corpo, mas permanece com a mesma ‘‘personalidade’’. Alguns espíritos logo tomam consciência de que morreram e são encaminhados, por outros espíritos, aos hospitais das colônias (uma espécie de mundo paralelo onde vivem os que já morreram). Outros, demoram a perceber que não estão mais vivos e permanecem vagando na Terra. Há ainda os que vão para o Umbral, o ‘‘purgatório’’ dos espíritas. De qualquer maneira, depois de algum tempo, os espíritos que ainda não cumpriram sua missão voltam à Terra para reencarnar (nascer em outro corpo) .

Igreja Adventista do Sétimo Dia

Enterro: os adventistas têm um enterro similiar ao dos evangélicos (veja abaixo).

Depois da morte: a sepultura é um lugar de inconsciência, descrito na Bíblia como se as pessoas estivessem dormindo. Quando Jesus voltar, haverá uma grande ressurreição daqueles que morreram desde o começo da humanidade. ‘‘Exatamente como Ele soprou vida dentro do primeiro homem e mulher, acordará as pessoas que dormem com vida nova.’’ Já os maus não padecem no fogo do inferno. Eles simplesmente não irão ressuscitar e deixarão de existir.

Igreja Católica

Enterro: um padre é chamado para rezar pelo falecido. Depois de sete dias é feita uma missa para iluminar o espírito no caminho da vida eterna.

Depois da morte: os católicos acreditam na vida após a morte. Os bons vão para o céu, onde encontrarão a paz eterna. Os maus passarão por provações no inferno.

Igreja Evangélica

Enterro: o pastor é chamado para fazer um culto entregando a alma do falecido ao senhor

Depois da morte: para os evangélicos a morte não é motivo de tristeza, mas sim de celebração. O espírito da pessoa que partiu volta para o lado de Jesus. Lá, fica esperando a volta de Cristo ao mundo dos vivos, que marcará o juízo final.

Islamismo

Enterro: quando um muçulmano morre, tiram-se todos os adornos (anéis, relógios e jóias) do corpo. Depois, deita-se a pessoa no chão com os pés em direção à cidade sagrada de Meca. O caixão deve ser o mais simples possível pois só serve para transportar o corpo, uma vez que o falecido deve ser enterrado na terra. O enterro deve ser realizado rapidamente. O morto é vestido com uma mortalha branca que lhe cobre todo o corpo, inclusive a cabeça.

Depois da morte: Antes do enterro, a alma do falecido é visitada por dois anjos (Muncar e Nakir) que perguntarão qual a religião da pessoa e pedirão um relatório de suas boas e más ações. Este depoimento ficará registrado em um livro até o dia do Juízo Final. Os bons vão para o paraíso, cuja conotação é bastante sensual. Os homens, por exemplo, recebe um harém de virgens com olhos negros para servi-lo. Já os maus, vão para o inferno ou purgatório.

Judaísmo

Enterro: O corpo é colocado nu, no caixão, simbolizando o desapego aos bens materiais. Não se aprova a cremação pois o corpo deve permanecer íntegro. Um chazan (responsável por recitar as rezas judaicas) faz uma cerimônia de velação. O caixão deve ser preto com uma estrela de Davi branca, permanecendo fechado o tempo inteiro para preservar na mente dos parentes a imagem da pessoa viva.

Depois da morte: o judaísmo não costuma oferecer detalhes sobre a vida após a morte pois defende que os judeus devem se preocupar com este mundo. Não com o reino dos céus. No entanto, a torá (livro sagrado dos judeus) prega a existência da ressurreição. ‘‘O corpo e a alma serão reunidos novamente depois de terem sido separados pela morte.’’
 
Tudo passa...



Conta a velha lenda que um rei muito poderoso ao enfrentar um outro rei tão poderoso quanto ele, quase perdeu tudo.
Foram anos de batalhas onde muitos soldados perderam a vida, e muito ouro foi consumido.
A guerra só acabou com a morte do rei inimigo, mas custou muito caro ao vencedor, que sentiu o peso da miséria na sua própria vida.

Foram necessários alguns anos para que o rei conseguisse de novo acumular
fortuna, com muito trabalho nos campos e a conquista de outros lugares.

Assim, meditando na sorte e no azar, na riqueza e na pobreza, o rei chamou seus sábios consultores e pediu que eles definissem em uma única frase esses dois momentos tão opostos…que desse força para que ele superasse a falta de recursos, os problemas e dificuldades, e quando na riqueza não esquecesse dos mais pobres, das dificuldades do povo que ele comandava.

Essa frase vencedora, daria honras e glórias ao seu criador e seria escrita na
bandeira daquele reino, e seria inserida no brasão real do rei, por isso os gênios de todos os cantos mandavam sugestões, enviando frases que mais pareciam histórias.

Um dia, o rei em um dos seus passeios pelos arredores do seu reinado teve sede e parou perto de um casebre na estrada e um dos seus soldados bateu palmas.
Um senhor bem sorridente o atendeu e logo trouxe água para o rei em uma caneca
simples mas muito limpa, o que impressionou o rei, que também ficou impressionado com a pureza e o frescor da água.

Curioso, o rei desceu e resolveu entrar no casebre e se surpreendeu com a paz do
ambiente, com a limpeza e as pequenas flores em cada canto daquele cômodo humilde.
O rei então perguntou ao camponês como ele conseguia ser feliz naquele lugar tão longe de tudo e vivendo em tamanha simplicidade.

O camponês contou que no passado tivera bens e posses, era alfaiate e tinha uma grande freguesia, chegou a ter muito dinheiro, mas perdeu tudo com o ataque de um rei muito poderoso naquela região e ele teve que mendigar pelas ruas para comer .
Andou muito, conheceu muitas vidas e muitas realidades, até encontrar esse lugar
que hoje ele chama de "pedacinho do céu", e mostrou ao rei uma tabuleta onde ele mandou gravar a frase da sua vida…para que ele se lembrasse sempre, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na pobreza ou na riqueza que ele podia superar tudo, desde que se lembrasse dessa verdade escrita na tabuleta.

Lá estava a frase que o rei tanto buscava,
lá estava escrito em apenas uma linha toda
a filosofia que seus sábios não souberam
explicar, lá estava escrito:

"Tudo passa!"

E agora eu te ofereço essa tabuleta, leve-a com você por onde for, na certeza de que esse momento que você vive, seja ele de muita alegria ou de dor …vai passar e você deverá seguir em frente, sem olhar para trás, rumo a felicidade, na conquista do seu "pedacinho de céu", porque tudo passa, mas você é eterno.

Mude e Marque



O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.

Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.
Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.
Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e, portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.
É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e "apagando" as experiências duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente. .
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.
Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente).
O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas
experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência).
Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa...
São apagados de sua noção de passagem do tempo.
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.
Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir, as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de
novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.

Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... rotina.
Não me entenda mal. A rotina é essencial para a vida e otimiza muita
coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo:
M & M ( Mude e Marque).
Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de
momentos usuais.
Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo,
bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a
mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências
diferentes.
Seja diferente. Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver
aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos.. .em outras palavras... V-I-V-A.
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos.
Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida...

Por Airton Luiz Mendonça
(Artigo do jornal o Estado de são Paulo)
 
AMOR MAIÚSCULO



Um homem bastante idoso procurou uma Clínica para um curativo em sua mão ferida, dizendo-se muito apressado porque estava atrasado para um compromisso.

Enquanto o tratava, o jovem médico quis saber o motivo da sua pressa e ele disse que precisava ir a um Asilo de Velhos tomar o café da manhã com sua mulher que estava que estava Internada lá há bastante tempo ...

Sua mulher sofria do “Mal de Alzheimer” em estágio bastante avançado...

Enquanto terminava o curativo, o médico perguntou-lhe se ela não ficaria assustada pelo fato dele estar atrasado.

- “Não, disse ele. Ela já não sabe quem eu sou. Há quase cinco anos ela nem me reconhece...”
Intrigado o médico lhe pergunta:
- “Mas se ela já nem sabe quem o senhor é, porque essa necessidade de estar com ela todas as manhãs?”
O velho sorriu, deu uma palmadinha na mão do médico e disse:
- “É verdade... ela não sabe quem eu sou, mas eu sei muito bem QUEM ELA É”

Enquanto o velhinho saía apressado, o jovem médico sorria emocionado e pensava:
“Esta é a qualidade de Amor que eu gostaria para a minha vida”
O Amor não se reduz ao físico, ao romântico ...
O Amor verdadeiro é a aceitação
DE TUDO O QUE O OUTRO É ...
DE TUDO O QUE O OUTRO FOI ...
DO QUE SERÁ ...
DO QUE JÁ NÃO É ...
Como o bom velhinho, que também vocês amigos, possam dar e receber, em profusão, deste Amor Maiúsculo!

REVOLUÇÃO DA ALMA



Aristóteles, filósofo grego, escreveu este texto " Revolução da Alma“ no ano 360 A.C. e é eterno.

Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.
A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida, quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você.
Não coloque objetivo longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo(a), e seja seu melhor amigo(a) sempre.
Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor.
Trabalhe, trabalhe muito a seu favor.
Pare de esperar a felicidade sem esforços.
Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.
Critique menos, trabalhe mais.
E, não se esqueça nunca de agradecer.
Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor.
Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida.
A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las.

NAMASTÊ



A palavra NAMASTÊ é o cumprimento em sânscrito que literalmente significa “Curvo-me perante a ti”.
É a forma mais digna de cumprimento de um ser humano para outro.
Expressa um grande sentimento de respeito.
Invoca a percepção de que todos nós compartilhamos da mesma essência, da mesma energia, do mesmo universo.
NAMASTÊ possui uma força pacificadora muito intensa.
Em síntese é: “Saúdo a você de coração”! E, deve ser retribuído com o mesmo sentimento.

O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita você.
O Deus que há em mim, saúda o Deus que há em você.
A minha essência saúda a sua essência.

O BHAGAVAD GITA



Por que você se preocupa sem motivo?

De quem você tem medo, sem razão?
Quem poderia matá-lo?
A alma não nasce nem morre.
Seja o que for que aconteceu, foi para o bem;
o que quer que esteja acontecendo,
está acontecendo para o bem;
o que quer que virá a acontecer,
também será somente para o bem

Não sofra pelo passado.

Não se preocupe pelo futuro.
É o presente que está acontecendo agora...
O que é que você perdeu, que o faz chorar?
O que será que você trouxe consigo,
que acha que perdeu?

O que será que você construiu,
que acha que foi destruído?

Você não trouxe nada,
seja o que for que você tenha,
você recebeu daqui.
Seja o que for que você deu,
você deu somente aqui.
O que quer que você pegou,
você pegou de Deus.
O que quer que você deu,
você deu a Ele.
Você chegou de mãos vazias,
você retornará de mãos vazias.
O que é seu hoje, pertenceu a alguém ontem,

e pertencerá a alguém depois de amanhã.
Você está desfrutando erroneamente
do pensamento de que isto é seu.
A causa de seus sofrimentos é esta felicidade ilusória.

Mudança é a lei do Universo.

O que você acha que é morte, é certamente vida.
Num momento você pode ser um milionário
e no outro poderá estar afundado na pobreza.

Seu e meu, grande e pequeno,

Apague estas idéias de sua mente.
Pois tudo é seu e você pertence ao Todo.
Este corpo não é seu e nem você é deste corpo.
O corpo é feito de fogo, água, terra e éter
e um dia desaparecerá nestes elementos.
Porém a alma é eterna - então, quem é você?

Dedique seu ser a Deus.

Ele é o único em quem podemos confiar.
Aqueles que tem consciência de Seu amparo
são eternamente livres de medo, preocupações e tristezas.
Qualquer coisa que você faça, faça-o dedicado a Deus.
Pois isto lhe proporcionará, para sempre,
a enorme experiência da alegria e liberdade de viver

 


MEU AMOR E MEUS CUIDADOS EU TAMBÉM MEREÇO 



Abaixo você vai encontrar uma relação de itens que o ajudarão na elaboração do luto.

Para tomar conta de si:

1.Alimente-se bem e durma o mais possível.
2.Crie momentos de férias para o luto no sentido de recuperar energias.
3.Quebre a rotina com períodos de descanso.
4.Exprima suas emoções através de filmes, leituras de livros, conversas.
5.Procure momentos de solitude para refletir sobre o luto.
6.Procure alguém que o saiba escutar.
7.Diga para você que essa fase vai passar.
8.Evite tomar grandes decisões.
9.Fuja das pessoas que esgotam suas energias.
10.Prefira massagens a tranqüilizantes.
11.Rodeie-se de seres vivos (plantas, animais).
12.Aprenda a calar a voz interna culpabilizante.
13.Aprenda a entoar frases de amor: a minha mãe gosta de mim, o meu marido me ama, o meu cão me adora.
14.Aprenda que nunca esquecerá o ser amado que partiu, ainda que pouco a pouco vá conseguindo deixar de pensar constantemente nele.
15.Anime-se com pequenos progressos.
16.Não se inquiete com retornos repentinos de tristeza. É um recuo temporário.
17.Não tenha pressa de se curar. Evite o falso bem estar.
18.Reencontre suas fontes espirituais


Conversando com as crianças sobre morte 


O que é morte?
Para os adultos talvez seja: uma passagem, o fim, transição, começo de uma nova vida, união com Deus, sono eterno...
Para a criança a consciência de morte ainda é muito difusa.

Para ela, o parente ou amigo que morreu pode voltar a qualquer momento.
È preciso que os pais ou o responsável por comunicar a morte de um ente querido se conscientize da importância de encarar a realidade e procurar aceitá-la.
Como pais não devemos esconder o fato aos nossos filhos. Devemos comunicar o ocorrido sem entrar em detalhes, especialmente, quando se tratar de uma morte trágica.
Ainda que numa visão fantasiosa, a criança já faz alguma idéia do que seja a morte - por acompanhar a morte das plantas e animais ou já sabem sobre o ciclo da vida -nossa comunicação para a criança dependerá do modo como concebemos a vida e a morte.
É preciso tomar cuidado com os conceitos ensinados aos nossos filhos. Muitas vezes, como cristãos, levamo-os a relacionar coisas ruins que nos acontecem, como castigo imposto por Deus.
Também no dia a dia da criança, ela acredita que as coisas ruins acontecem sempre que elas desobedecem ou fazem alguma coisa errada e passam a se sentir culpados pela morte.

Devemos evitar a idéia de um Deus carrasco, aquele que castiga todos os nossos erros.
Essa pedagogia do medo tem causado muito mal as pessoas.
È preciso não prometer que quem morreu vai voltar. Nem dizer que Deus o levou para o céu, por gostar tanto dele. Isto poderia se transformar mais tarde, numa mágoa contra Deus.
Devemos lembrar com ela as coisas boas e do amor que a pessoa que morreu tinha por ela.
È preciso permitir a expressão da tristeza. Chorar é bom e traz um imenso alívio.

A criança deve ser estimulada a falar de suas lembranças a rspeito daquele que morreu.
Os adultos devem procurar ver as coisas do ponto de vista da criança e não impor à sua maneira de pensar.


Magia dos 40 Conselhos de auto-ajuda, para você mudar seu estilo de vida para melhor



1 - Caminhe de 10 a 30 min. todos os dias. Enquanto caminha, sorria.
2 - Fique em silêncio pelo menos 10 min. cada dia. Se necessário a sós.
3 - Escute boa música todos os dias, é um autêntico alimento para o espirito.
4 - Ao levantares pela manhã diga o seguinte: Meu propósito hoje é…
5 - Viva com os 3 E’s…Energia, entusiasmo e empatia.
6 - Divirta-se mais do que no ano passado.
7 - Leia mais livros que no ano passado.
8 - Olhe para o céu pelo menos uma vez ao dia, leve em conta a majestade do mundo em torno de você.
9 - Sonhe mais enquanto estás acordado.
10 - Coma mais alimentos naturais como, frutas e verduras e menos alimentos industrializados e os que requer sacrifício.
11 - Coma castanhas e nozes. Tome muita água e um cálice pelo menos de suco de uva todos os dias.
12 - Experimente tratar bem pelo menos três pessoas por dia.
13 - Elimine a desordem da tua casa, do carro, do escritório e deixe que uma nova energia flua em sua vida.
14 - Não gaste teu precioso tempo em fofocas, coisas do passado, pensamentos negativos e coisas fora do teu controle. É melhor investir tua energia em coisas positivas.
15 - Note que a vida é uma escola e você está aqui para aprender. Os problemas são lições que vêm e vão. O que você aprende é melhor investir nas necessidades presentes.
16 - No desjejum coma como um rei, no almoço como um príncipe e no jantar como mendigo.
17 - Sorria mais.
18 - Não deixes passar a oportunidade de abraçar quem aprecias.
19 - A vida é muito curta para desperdiçar tempo odiando alguém.
20 - Não se cobre tanto. Não faz bem.
21 - Você não tem que vencer todas as discussões. Demonstre que não está de acordo e aprenda com os outros.
22 - Esteja em paz com teu passado, assim não arruinarás teu presente.
23 - Não compares tua vida com a dos outros. Não tens idéia do caminho que eles andaram.
24 - Ninguém é responsável pela tua felicidade, exceto você mesmo.
25 - Lembre-se que você não tem controle sobre o que acontece com você, mas sim o que fará da sua vida.
26 - Aprenda algo novo cada dia.
27 - O que os outros pensam de você não importa.
28 - Aprecie teu corpo e desfrute-o.
29 - Não importa quão boa ou ruim é a situação, mude-a se necessário.
30 - Seu trabalho não vai se preocupar se estás doente. Seus amigos sim. Fique em contato com eles.
31 - Descartar qualquer coisa que não seja útil, bonito e divertido.
32 - Inveja é um desperdício de tempo. Você já tem tudo que necessita.
33 - O melhor está para acontecer.
34 - Não importa como te sentes, levante-se, vista-se e participe.
35 - Viva com plenitude do seu ser.
36 - Comunique-se com teus familiares com mais frequência, mandando-lhes mensagens como: Estou pensando em você!
37 - Cada noite antes de dormir diga o seguinte:
Dou graças por ___________________.
Hoje eu consegui _____________________.
38 - Lembre-se de que você é muito abençoado para estar estressado.
39 - Aproveite a viagem. Só tens uma oportunidade de tirar o melhor proveito.
40 - A vida é bela. Aproveite-a enquanto pode

 


A arte de não adoecer

 

Dr. Dráuzio Varella

Se não quiser adoecer - Fale de seus sentimentos
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam
em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na
coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até
em câncer. Então vamos desabafar,
confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos,
nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso
remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer - Tome decisão
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na
angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações,
agressões. A história humana é feita de decisões. Para
decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e
valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas
de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer - Busque soluções
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os
problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o
pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a
escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce
existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera
energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer - Não viva de aparências
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a
impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho
etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de
bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que
viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz
e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer - Aceite-se
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com
que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de
uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos,
ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-
se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom
senso e terapia.

Se não quiser adoecer - Confie
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se
relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades
verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A
desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer - Não viva sempre triste
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde
e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o
ambiente em que vive.
O bom humor nos salva das mãos do doutor.
Alegria é saúde e terapia.


A Lição da Borboleta 


Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo.
A borboleta então saiu facilmente. Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu!
Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.

O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.

Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.

Eu pedi forças... e Deus deu-me dificuldades para fazer-me forte.
Eu pedi sabedoria... e Deus deu-me problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade... e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.

Eu pedi coragem... e Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor... e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores... e Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi... mas eu recebi tudo de que precisava."

Viva a vida sem medo, enfrente todos os obstáculos e mostre que você pode superá-los.


Cuidando de nós 



Apenas o tempo não é suficiente para reparar o luto. Pense sobre essas sugestões:
- aceite o seu luto
Este é o primeiro passo na resolução da perda de um ente querido. Reserve tempo para ser compreensivo consigo mesmo e aceitar seus sentimentos.
- Comunique-se aberta e honestamente
Compartilhe seu luto. Divida suas memórias e pensamentos com aqueles que podem ouvir e entender sua perda sem fazer julgamentos ou oferecer conselhos que pareçam inadequados. Converse com pessoas de sua confiança. Você não vai protegê-las calando suas emoções. Pelo contrário, as pessoas próximas podem ficar confusas e incertas sobre como devem agir, se você não falar sobre suas necessidades. Essa situação é muito comum quando há crianças envolvidas. Elas podem culpar-se pela sua infelicidade.
- Cuide de si mesmo
Siga uma dieta nutritiva e faça exercícios regularmente. Isso pode aliviar uma eventual depressão e ajudá-lo a dormir melhor.
- Oração, meditação e recolhimento
Este pode ser um momento para aprofundar sua compreensão da vida. Caminhar ou passar algum tempo em ambientes naturais e tranqüilos pode tornar-nos conscientes da natureza mutável de muitas coisas. Ou você pode querer visitar algum local de devoção particular, de sua preferência ou realizar um retiro.
- procure auxílio
Pessoas enlutadas freqüentemente se unem ou formam grupos para amizade e auxílio mútuo. Permitir que os outros se dêem a você é às vezes um grande apoio. Dar de si aos outros é freqüentemente um passo importante na resolução do seu próprio luto.
- Auxílio profissional
Um terapeuta ou um religioso pode ajudá-lo a resolver algumas das questões mais complexas que possam surgir.

Auxiliando outras pessoas
Se você é amigo ou colega de trabalho de alguém enlutado, você pode auxiliá-lo. A lembrança de algumas destas sugestões pode ser útil para se aproximar dele:
·Aceite os sentimentos do seu amigo como eles são.
·Ouça sem fazer julgamentos.
·comunique-se aberta e honestamente quando solicitado.
Lembre-se
Apesar da profundidade de sua tristeza, você não está sozinho. Outros já passaram por isso e o ajudarão a compartilhar a sua carga se você permitir. Se você puder, não lhes negue essa oportunidade.

É preciso expressar os sentimentos 


O psiquiatra inglês Colin Murray Parkes se dedica a estudar as questões que envolvem o luto desde os anos 50. Para ele, a morte e o luto são eventos que mudam a vida, e a perda faz parte desse processo. Não há dúvida de que o luto é a experiência psicológica mais dolorosa que qualquer pessoa irá viver. O luto é um preço que temos de pagar. Algumas pessoas acham seu luto tão doloroso que ficam com medo de amar novamente. Mas o preço vale a pena, disse o psiquiatra em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Penso que o importante é ajudar as pessoas a saber que realmente não podem se preparar para um desastre. Os maiores problemas aparecem após os desastres porque ninguém está preparado para eles. Embora todo hospital tenha um plano para acidentes, muito poucos incluem serviços psicológicos ou apoio para enlutados ¿ o que nos desastres modernos freqüentemente é a única coisa necessária. Quando um avião cai, não há sobreviventes, não há ninguém para resgatar. Trata-se apenas de recuperar os corpos e prover apoio para as famílias.

Nós não dizemos: O que quer que a pessoa sinta tem que ser colocado para fora, e isso será terapêutico.
Você não pode evitar que os pássaros da tristeza voem sobre sua cabeça, mas pode evitar que eles construam ninhos em seus cabelos." (provérbio chinês).
O luto pela perda de uma pessoa amada é a experiência mais universal e, ao mesmo tempo, mais desorganizadora e assustadora que vive o ser humano. O sentido dado à vida é repensado, as relações são refeitas a partir de uma avaliação de seu significado, a identidade pessoal se transforma. Nada mais é como costumava ser. E ainda assim há vida no luto, há esperança de transformação, de recomeço. Porque há um tempo de chegar e um tempo de partir, a vida e feita de pequenos e grandes lutos e o ser humano se dá conta de sua condição de ser mortal, porque é humano.
Maria Helena P. Franco

PARTIDA E CHEGADA



Henry Sobel, por ocasião da morte de Mário Covas contou a seguinte parábola:


Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "já se foi". Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.

Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: "já se foi", haverá outras vozes, mais além, a afirmar: "lá vem o veleiro" !!!

Assim é a morte.

Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: "já se foi".

O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas persistem dentro do mistério divino.

Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: "já se foi", no além, outro alguém dirá : "já está chegando". Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida.

Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.

A vida é feita de partidas e chegadas.
De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.

Assim, um dia, todos nós partimos

Como seres imortais que somos todos nós ao encontro daquele que nos criou

Conversa com minha filha.



Oi, linda, vem falar comigo. Vem!
Quero te dar notícias frescas e amorosas desta terra.

Mas hoje quero que essa conversa seja pública, pra que outros enlutados nos ouçam.

Há uns dois meses estive no Oceanário de Lisboa.
Lembra, meu anjo, você esteve lá, logo que foi inaugurado. É lindo!
Quero te falar de uma das imagens mais graciosas, mais poéticas, que presenciei em toda a minha vida.
Em um dos tanques havia uma lontra que acabara de parir sua cria.
(Façam silêncio  pediam os lusos, conscientes dos imperativos ecológicos.)
A mamãe lontra nadava de costas. Sobre seu peito amoroso, também de costas, descansava a lontrinha recém nascida.
A mãe, com as nadadeiras, trazia água e carinho para seu amor. Com a cabeça levantada, observava orgulhosa, a vida que gerara.
Os movimentos eram ritmados. Por certo, no compasso de seu coração.

Viu? linda, esse sentimento materno-paternal  esse afeto  é, sem dúvida, um dos sentimentos mais primitivos. Não do ser humano: dos animais, da vida.
Esse desejo de cuidar, de ver feliz a cria, não é um imperativo moral. Não, gracinha! é um imperativo instintivo-emocional: primitivo, profundo.
Somos recompensados com a alegria, quando exercemos esse afeto.

Não é por acaso que o sentimento de culpa assalta a maioria dos pais que perderam filhos. Não importa que não tenham tido nenhuma participação no evento que produziu a morte de seus amados; o sentimento é de quem falha, de quem não conseguiu preservar sua cria, de quem não foi fiel àquele sentimento primitivo.
Nossa razão analítica tenta dar argumentos para preencher o vazio emocional do instinto já sem objeto. A culpa que imputamos, a nós e aos outros, é uma tentativa de tornar racional esse sentimento incompreensível.

Felizmente, meu anjo, Deus me livrou desse sentimento de culpa; mais ainda, me livrou de outros sentimentos dolorosos que acompanham esse evento.
Só não me livrou, meu amor, de um terrível sentimento de tristeza: duro, profundo, dilacerante.
Eitcha! vale isso não! Agora é hora de alegre amorosidade. Falo mais, depois...

Olha só! teu cãozinho Apolo continua aqui, como lembrança viva da tua alegria.
Já tá ficando velho, o pestinha. Gordinho feito uma bola. O Adriano chama ele (O diabo do corretor ortográfico quer que escreva: chama-o. Que se dane!) de  mesa de centro e ainda coloca coisas nas costas dele pra provar o apelido.
Mas como é carinhoso, o nosso pestinha. Sei não, acho que saiu à dona.
Agora deu de fazer o que chamamos de muxoxo: quando a gente chega, depois dos pulos de praxe, sai correndo pra subir na poltrona e pegar o ossinho.
(Às vezes com a nossa ajuda, já que peso e idade andam fazendo das suas).
Morde o ossinho, deita de lado, levanta a perna e fica grunhindo baixinho pra receber carinho.
E não pára, a peste, enquanto a gente não o afaga.


Boa noite, Lanuca! bejinho do Lipa!
São assim, minha flor, as palavras que ponho na boca do teu cãozinho quando desço as escadas, tarde da noite, quando resolvo dormir  já que eu e o Apolo continuamos notívagos.
O desejo de boa noite é dado para o enorme pôster de foto com você e sua mãe.
Mó lindura! as minhas mulheres.
Quer saber? Sempre tenho a impressão que o Lipinha se aconchega em meus braços, quando te damos o  boa noite .
Vô falá nadica, do quanto gostaria de te cantar de novo  o boi da cara preta pra embalar teu sono.

Sim! Por falar em corretor ortográfico: Cê devia tá aqui pra ver isso!
Lembra da tua mãe do tempo do lápis John Fabber?. Intão! Tu ia rí muito, cara!
Agora, a alma fica mais tempo do que eu no computador.
Manja só: pesquisas na Internet, respostas a dezenas de e_mails, processadores de texto, apresentações, planilhas eletrônicas.
Juro!  É coisa de se ponhá num jorná , como dizia teu avô Bertinho. Pode acreditar, que pra anjo não se mente: até a edição do Site da Casulo (já falo dela) a pestinha tem feito.
O ser humano é surpreendente!

Qué mais? Vichi! até teu irmão casou.
Já sabe disso né? Não estranharia se me dissesse que participou da festa. Aquela alegria toda devia estar sendo compartilhada por você.
É isso! o seu  monge , como você carinhosamente o chamava, entregou os pontos.
E cê viu? depois de quase cinco anos sua mãe conseguiu dançar comigo. Não era por falta de insistência minha; sabe o quanto gostávamos de dançar.
É o que estou chamando de  culpa de segundo grau : a culpa de estar se divertindo depois que seu amado morreu. Não é fácil a vida dos enlutados.

Já estamos bem, minha linda, já voltamos a ter uma vida digna.
Quando te escrevi, no livro que tua mãe editou (O perfume de Eliana) dizia que já me sentia preparado para a minha morte, mas que não estava preparado para a morte da minha filha.
Acho mais isso não, minha flor.
De alguma forma, todos nós podemos superar essa provação. De alguma forma, Deus nos deu instrumentos para vencer a dor da morte.
Mas não é fácil, não dá pra jogar a nossa história pra debaixo do tapete, não dá pra esquecer.
É preciso processar essa dor, até que a sublimemos. Até, minha linda, que consigamos aceitar a perda. Acho que é esse o momento da inflexão: o momento da aceitação.

Não é fácil!
Quer saber? Talvez para os homens seja ainda mais difícil; ensinaram-nos que meninos não choram. E, minha linda, não dá pra superar a dor sem lágrimas.
Então é isso: meninos precisam aprender a usar o instrumento do choro.
Falo de gozação, que são as mulheres que nos ensinam que meninos não choram.
Uai! i num é????
Ta bom! acho que tinha que ser assim mesmo. Até pouco tempo atrás a menina logo que virava mulher acabava casando, engravidando, parindo, amamentando, engravidando de novo... e ia assim até lá pelos 40 anos... quando morria.
Alguém tinha que meter o pé na jaca do mundo. A peste que tinha feito a cria, que se virasse. É isso aí!
Mas, isso teve um efeito colateral, os homens não aprenderam a expressar os sentimentos.
Não vô falá nada, de que perdemos de dez a zero quando as mulheres querem discutir a relação. Somos muito ruins disso.

Pior ainda! Tenho visto, por diversas vezes, o sofrimento de mulheres  de quem os parceiros eram a segurança, o provimento  quando vêm esses mesmos parceiros dilacerados pela dor. Aqueles de quem esperavam o esteio acabam por se fazer crianças de novo, pra aprender a chorar a dor.
Deixem que chorem! Costumo dizer a elas.
Ajudem-nos, a aprender a chorar. Vão ter de volta, seus homens. Mais fortes ainda, já que aprenderam a superar a pior das dores.

Vida de enlutados é o maior pé-no-saco! Mas depois... fica bom de novo.
A vida anterior? dá pra ter de novo não! mas dá pra refazer nova vida. Tão digna como a anterior.

Olha só! Tu tem uma mãe porreta pra diabo. Eu sei! como foi o primeiro ano dela, depois da tua morte. Vichiiiiiiiiiiii!
E sabe o que ela fez? Escreveu um livro pra nos contar dessa experiência e fundou uma associação pra cuidar de enlutados. É mole?
Eu e o Adriano, seu irmão, demos a maior força. Mas foi  e continua sendo ela  quem leva isso nas costas.
Qué sabe? Mó orgulho de nossa família. Cara! até anjo, agora a gente tem.

Vou te falar da Casulo; é esse o nome da associação de apoio a enlutados que sua mãe criou. Bonito, né? a gente quer proteger as lagartas, até que consigam, por si, virar borboletas.

No começo, tinha alguma dúvida da validade dessa ação  acho que muitos pensam assim  participar de grupos de auto-ajuda, onde se processam sentimentos negativos, poderia piorar a situação.
Felizmente, linda, não é o que ocorre. Não ficamos cultuando a dor, somos mútuo-apoio para superá-la.
E funciona! É gratificante ver enlutados, ainda sangrando, tentando ajudar (e, portanto, se ajudando) aos que se encontram pior. É gratificante ver que depois de algum tempo é possível refazer a vida.

Há coisas que ajudam:
- o testemunho vivo de quem já conseguiu superar a dor;
- a possibilidade de expressar essa dor  coisa que é difícil fazer com não enlutados;
- a metodologia, eficiente, do processo  que a Alice vem adaptando e recriando  de entidade semelhante em Portugal (A Nossa Âncora)
- o entendimento comum da dor do outro. (nosso slogan é:  ... da sua dor, a gente entende. )
- a empatia imediata com quem chega  logo ficamos amigos.

Há coisas que atrapalham:
- o medo em processar sentimentos negativos;
- a revolta pelo que a vida nos fez  alguns religiosos, revoltados com o próprio Deus que não protegeu seus amados;
- Como disse no texto que te escrevi através do livro de tua mãe, nessas horas, gostaríamos de trocar nosso livre arbítrio  que nos faz seres humanos em desenvolvimento  pela supressão da dor. Felizmente, Deus sabe o que é melhor pra nós.
- a utilização do luto como álibi, quando outros processos de nossas vidas já não andavam bem;
- a culpa, de primeiro e segundo graus  por não protegermos nossas crias e pelos momentos de felicidade que vamos recriando;
- sobretudo, minha flor, quando a vida nos prega a peça de nos fazer partícipes do evento da morte de nossos amados ou quando não abortamos sua  decisão de morrer.
- achamos que somos deuses, que podem moldar a vida aos próprios desejos.
- julgamo-nos, com a severidade desses deuses amadores.
- a nós ou a outros, que se enredaram nas tragédias que pensamos poder controlar.
- por certo, Deus  o que sabe das coisas  deve sorrir complacente de nossos egos metidos a besta.
- e, sobretudo, o jeito como registramos nossa história: nossa memória não registra apenas os eventos, registra também os sentimentos que acompanham o processo.
- Cada vez que os fatos vêm à nossa consciência, lá vem junto o sofrimento que os acompanhou. Um círculo vicioso dos diabos!

Acho, minha linda  ao menos é essa a minha experiência  que o único jeito de superar esse círculo vicioso da dor é processar o que chamo de mudança do foco.
Encontrar dentro de nós  e, por certo, todos temos  sentimentos positivos que se contraponham a esses negativos.
Negociar com nossa atenção (não adianta brigar com ela) para que foque sentimentos positivos, que no momento têm menos energia dos que os negativos.
Não é fácil! mas todos podemos conseguir.

Vem, meu amor, quero comentar de nosso segredo.
Por acaso (vichi! será que tu mudou de nome?), comecei a fazer, todas as noites, essas conversas amorosas contigo.
Não te falava do meu sofrimento; falava do meu dia, perguntava do teu, relembrava momentos amorosos que passamos juntos.
Aos poucos, comecei a descobrir, a tomar consciência, do tamanho do amor que sinto por você. E quer saber mais? adorei vivenciar esse sentimento.
Gracinha, gosto muito! do amor por você, que descobri dentro de mim.
Foi esse! o sentimento positivo que me possibilitou mudar o foco: o amor (gracioso) que sinto por você.

Olha só! Outro dia, numa das reuniões de auto-ajuda da Casulo, algumas mães falavam do quanto gostariam de saber onde andavam seus filhos.
Vou te contar o que disse a mim, dizendo a elas.
Há muito já me decidi por deixar de lado a alternativa de que, o que somos, é fruto de mero acaso. Cara! mó maluca essa alternativa.
Mas não foi só racional o motivo dessa decisão. Não! A vida, felizmente, me deu oportunidades para vivenciar que, dentro de cada um de nós, vive alguma coisa de perene, de eterno: alma, espírito, seja lá como a queiramos chamar.
Eu, a chamo de  meu Deus .
Não o Deusão  que sei lá onde vive. Este  manifesto! que vive em mim.
É isso, linda, finalmente descobri que, todos, somos manifestações divinas.
E nesse tempo  olha só que lindo  descobri a saudação em sânscrito, que os religiosos hindus se fazem quando se encontram e se despedem:
Namastê! que quer dizer:  o que há de divino em mim, saúda tua divindade .
Então! se somos todos manifestações do mesmo Deus, onde é que tu ta?
Aqui, cara! em mim! partilhando esta personalidade controversa.
Adorei descobrir isso.

Olha só pra isso! quem me ensinou o Namastê foi tua mãe. A muié agora é yogue também.
Foi um dos instrumentos de que se valeu, do que ela costuma chamar de  rede de proteção que os enlutados precisam: família e amigos, grupos de auto-ajuda, terapeutas, religião, trabalho, etc. Dá pra superar isso só com as próprias forças não.

Então, bunitinha! eu sei que não poderei mais conviver com a personalidade graciosa que você vivenciou nesta família. Peninha! era uma coisa linda.
Mas sei que sua essência é a mesma que a minha. E essa, meu amor, sempre viverá.
Certamente é mais fácil vivenciar isso, quando já não temos mais a personalidade que opera nossa experiência física. Nós ainda estamos por aqui, curtindo essa experiência.
Um dia, não haverá mais o físico, que nos aparta. E aí, vai ficar só o encantamento do encontro dos que se reconhecem como unos.

Então ficamos assim: vai ajudando nosso processo de evolução. Anjo é pra essas coisas.

Um beijo, meu amor. Namastê.


 

A dor de perder um filho é para sempre?


A perda de um filho implica num tipo muito particular de luto, pois solicita adaptações tanto sob os aspectos individuais de cada um dos pais no enfrentamento desta situação, como em adaptações na relação com o(a) esposo (a), no sistema familiar e na sociedade.
Quando perdemos um filho perdemos nossa perspectiva de futuro, pois é neles que garantimos a possibilidade de realizar todos os sonhos e projetos que não conseguimos em nossas próprias vidas. Um filho não é apenas uma extensão biológica de seus pais, mas também psicológica, por isso temos a sensação que perdemos um pedaço de nós.
 
Reações à perda de filhos
O luto por um filho é marcado por muita culpa e revolta, e por algum tempo a pessoa chega a "brigar" com Deus, por não conseguir entender (aceitar) o porquê de estar vivendo uma dor tão intensa.
           
 As reações ligadas à perda de um filho dependem de alguns fatores como:


 - a relação prévia entre pais e filho. Por exemplo: quando existem conflitos no relacionamento, os pais sentem-se mais culpados após a perda de seu filho.

 - a idade do seu filho: não existe uma idade pior, mas em cada etapa da vida existem fatores que dificultam a elaboração da perda, como por exemplo, na adolescência, fase em que existem maiores chances de conflitos entre pais e filhos.

 - as circunstâncias da perda: o quê aconteceu, como acontecer, as causas da perda.

 - Um número grande de sintomas fisiológicos pode acompanhar as reações psicológicas e sociais dos pais, como por exemplo: anorexia, distúrbios gastrointestinais, perda de peso, insônia, cansaço excessivo, choro, palpitações, estresse, perda do desejo sexual ou hipersexualidade, falta de energia e retardo psicomotor, respiração curta.
 
E o que acontece no casamento?
O casamento sofre um grande impacto com a perda de um filho. As características do relacionamento obviamente serão afetadas pela maneira como cada um dos parceiros expressa sua dor. A comunicação tende a complicar-se, pois a mãe pode sentir sozinha em seu luto, enquanto o pai pode se ver lutando para conter sua dor a fim de poupar o sofrimento da esposa. Estas tentativas de evitar o sofrimento do outro, por muitas vezes gera um distanciamento tão grande nos casais, que não é incomum ocorrerem separações após a perda de um filho.

Gabriela Casellato

 

Presentes que não custam dinheiro


O Presente de Escutar -Você realmente deve escutar. Nada de interromper, nada de sonhar acordado, nada de planejar sua resposta. Apenas escute com interesse, afeto e atenção!

O Presente do Afeto - Seja generoso com abraços e beijos, e aperto de mãos na hora certa. Deixe estas pequenas atitudes demonstrarem o amor que você tem.

O Presente da Risada - Recorte desenhos. Compartilhe artigos e histórias engraçadas. Seu presente vai dizer "eu adoro rir com você."

O Presente de um E-mail - Pode ser um simples "Obrigado pela ajuda" ou um soneto inteiro. Um bilhete, mesmo pequeno, manuscrito, pode ser lembrado por toda a vida, e pode até mudar uma vida. Diga do seu amor, gratidão por algo específico que a outra pessoa fez ou simplesmente por sua amizade.

O Presente de um Elogio-Incentivador - Um simples e sincero, "Você fica muito bem de vermelho...", "Você fez um excelente trabalho." ou "A comida estava maravilhosa!" pode tornar o dia de alguém melhor, muito melhor.

O Presente de um Favor - Freqüentemente, saia da rotina e faça alguma coisa gentil. Telefone para perguntar como vai, passe por lá para deixar um abraço.

O Presente da Solidão - Há momentos quando não queremos nada além de ficar sozinhos. Seja sensível a esses momentos e dê o presente da solidão respeitando o amigo como pessoa sem, entretanto, deixar dúvidas quanto ao seu apoio incondicional.

O Presente da Disposição Alegre - O caminho mais fácil para nos sentirmos bem é dizer uma palavra amorosa a alguém.
De fato, não é tão difícil assim dizer, "Olá!" ou "Muito Obrigado."

"Dar o máximo.
Trabalhar sempre com calma e com toda a alma,
quer se trate de conduzir às estrelas uma nave espacial ou
de fazer uma simples ponta de lápis."

(D.Hélder Câmara)

 

Lidando com os filhos que ficaram


Não é incomum os pais atribuírem qualidades santificadas ao filho morto, como "o favorito", "melhor", "mais sensível", ou "especial". Isto pode intensificar as experiências de luto dos pais como dos irmãos. Podem acontecer as comparações entre os filhos vivos e o filho idealizado que morreu. 

É bom lembrar que esta criança também está sofrendo pois perdeu um irmão, e porque vê seus pais sofreram de forma tão intensa como se ele não fosse capaz de amenizar dor nenhuma. Isto pode trazer sérias complicações para o desenvolvimento psicológico deste irmão. 

Por outro lado os pais vivem sentimentos ambivalentes em relação aos filhos que "sobreviveram" pois sentem medo de investir afetivamente nestes, ou por outro lado, passam a superproteger, com medo de perder estes também. Isto muitas vezes tem um caráter de castigo por terem sobrevivido no lugar do irmão morto.

Gabriela Casellato


Pais em luto que, numa ânsia de busca, relembram incessantemente tudo o que viveram com os seus filhos falecidos estejam atentos à vida quotidiana e ao futuro dos outros filhos falecidos, ao vosso lado também sofrem. Eles deprimem-se por verem tanta tristeza à sua volta.

Os irmãos são uma parte muito importante dos que partiram porque partilharam imensas coisas que os próprios pais desconhecem. Viveram, por vezes, um mundo muito especial juntos e, por isso, a imagem desses irmãos permanece no seu interior para sempre.

Os filhos vivos têm de ser salvos do seu desespero e somos nós, pais em luto, que temos de superar a nossa mágoa e tentar compreender também a sua dor, continuando a dialogar com eles e a mostrar-lhes o nosso amor.
Aida Nuno, in Na curva do caminho 


Um pedacinho da vida de Álvares de Azevedo (o Maneco)

Formado, seu pai se transfere para a capital, o Rio de Janeiro, iniciando logo brilhante carreira jurídica. Aos quatro anos de idade, Maneco depara-se, pela primeira vez, com a morte. O falecimento de seu irmãozinho, Manuel Inácio, deixa marcas profundas sobre o jovem sensível. Alguns biógrafos atribuem ao choque com a morte do irmão uma febre que o domina entre os cinco e os seis anos, quase o mata, e que o deixaria debilitado pelo resto da vida. Certamente o poema O Anjinho, da Lira dos Vinte Anos, traduz, anos depois, a forte impressão que o episódio lhe causou: 

"Não chorem! lembro-me ainda
Como a criança era linda
No frescor da facezinha!
Com seus lábios azulados,
Com os seus olhos vidrados
Como de morta andorinha!"


 

18 dicas para a elaboração do luto

1. Alimente-se bem e durma bastante.
2. Crie momentos de férias para o luto no sentido de recuperar energias.
3. Quebre a rotina com períodos de descanso.
4. Exprima suas emoções através de filmes, leituras de livros, conversas.
5. Procure momentos de solitude para refletir sobre o luto.
6. Procure alguém que o saiba escutar.
7. Diga para você que essa fase vai passar.
8. Evite tomar grandes decisões.
9. Fuja das pessoas que esgotam suas energias.
10. Prefira massagens a tranqüilizantes.
11. Rodeie-se de seres vivos (plantas, animais).
12. Aprenda a calar a voz interna culpabilizante.
13. Aprenda a entoar frases de amor: a minha mãe gosta de mim, o meu marido me ama, o meu cão me adora.
14. Aprenda que nunca esquecerá o ser amado que partiu, ainda que pouco a pouco vá conseguindo deixar de pensar constantemente nele.
15. Anime-se com pequenos progressos.
16. Não se inquiete com retornos repentinos de tristeza. É um recuo temporário.
17. Não tenha pressa de se curar. Evite o falso bem estar.
18. Reencontre suas fontes espirituais.

 

Desiderata

(Encontrado na velha Igreja de Saint Paul, Baltimore, datado de 1692)

(Do Latim desideratu: aquilo que se deseja, aspiração)

Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio. Tanto quanto possível, sem capitular, esteja de bem com todas as pessoas. Fale a sua verdade calma e claramente; e escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; também eles têm sua história. Evite pessoas barulhentas e agressivas. Elas são tormento para o espírito. Se você se comparar a outros, pode tomar-se vaidoso e amargo; porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Desfrute suas conquistas assim como seus planos. Mantenha-se interessado em sua própria carreira, mesmo que humilde; é o que realmente se possui na sorte incerta dos tempos. Exercite a cautela nos negócios; porque o mundo é cheio de artifícios. Mas não deixe que isso o torne cego à virtude que existe; muitas pessoas lutam por altos ideais; e por toda parte a vida é cheia de heroísmo.

Seja você mesmo. Principalmente não finja afeição, nem seja cínico sobre o amor; porque em face de toda aridez e desencantamento ele é perene como a grama. Aceite gentilmente o conselho dos anos, renunciando com benevolência às coisas da juventude. Cultive a força do espírito para proteger-se num infortúnio inesperado. Mas não se desgaste com temores imaginários. Muitos medos nascem da fadiga e da solidão. Acima de uma benéfica disciplina, seja bondoso consigo mesmo. Você é filho do Universo, não menos que as árvores e as estrelas. Você tem o direito de estar aqui. E, quer seja claro ou não para você, sem dúvida o Universo se desenrola como deveria. Portanto, esteja em paz com Deus, qualquer que seja sua forma de concebê-lo e seja qual for a sua lida e suas aspirações, na barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a sua alma.Com todos os enganos, penas e sonhos desfeitos, este é ainda um mundo maravilhoso. Esteja atento. Empenhe-se em ser feliz.

 

Aviso às borboletas

Rompi minha crisálida.
Agora sou uma borboleta feliz e ansiosa que fia com urgência a sua história. Sei que a minha existência é breve e preciso projetar para o mundo o tempo em que hibernei.
No meu ciclo de larva eu já recolhia tudo - a metamorfose das cores, o veneno necessário, a experiência do mel. Involuntariamente eu me construía para o centro, sugava com as patas a seiva das plantas, me preparava para o dia de voar. Mal podia supor que as minhas asas seriam essa tatuagem de todas as formas, sobreposição de escamas cintilantes igual a um telhado suspenso no ar.
Asas, minha enseada e minha perdição.
Acho mesmo que as antenas aguçadíssimas e os olhos sensíveis ao som vieram dessa minha vontade de ir sempre além.
É arriscado voar e é por isso que eu vôo. Sou atraída por novas montanhas e desconhecidas planícies - não posso esperar porque o tempo que me pertence é uma única estação. Vôo para estar na aventura do vôo e vôo também pelas borboletas domesticadas que perderam a ousadia de voar. São asas que se tornavam apenas ombros, e "os ombros suportam o mundo", como o Poeta escreveu.
Vôo, vôo sim. Já tenho até na asa esquerda algumas violências de pássaro que não são nenhuma ilusão de ótica. É ferida mesmo, marcas do bico de um predador que me avistou nas asas da descoberta e quis me prender. Me feriu, mas em troca recebeu o gosto do meu veneno. Não nasci para perpetuar apenas a doçura do néctar, a seiva que trago no corpo é também minha senha e minha arma.
Simples, a minha natureza é feita de círculos, de quebra de planos, de espirais. Não tenho nada a ver com o vôo em linha reta, sou responsável por mim e pela aventura de outras borboletas, minha vida é transgredir. Afinal de contas voar é com os pássaros, e inverter o rumo das coisas, migrar sem descanso no horizonte da procura, é com as borboletas.
Por isso a minha história, aconteça o que acontecer, só deve valer para quem sabe que toda verdade é sempre um pedaço de uma outra coisa e que o vôo mais urgente é revolucionar os jardins.

MARINHO, Jorge Miguel. Na curva das emoções. São Paulo: Biruta, 2005. (Prêmios APCA - Melhor livro juvenil de 1990 - e FNLIJ - Altamente recomendável para jovens)


A lição da culpa

Há alguns anos, Sandra ficou encantada quando Sheila, sua melhor amiga, convidou-a para ser dama de honra em seu casamento. No dia, Sandra foi em seu carro novo buscar a noiva para levá-la à igreja.
Estava chovendo e Sandra estacionou na garagem aberta do prédio de Sheila. A dama de honra ajudou a noiva a carregar para o carro as roupas que iria trocar depois da cerimônia e a bagagem da lua-de-mel. Sandra estava prestes a se sentar no banco do motorista quando Sheila disse: “Quero dirigir”
“Você não pode ir dirigindo pra seu próprio casamento!”
“Por favor, insistiu Sheila. “Isso vai me distrair e evitar que eu fique pensando em um milhão de coisas, inclusive que o sol decidiu não comparecer ao meu casamento.”

Sandra concordou e lá se foram elas. Percorreram os poucos quilômetros até a igreja enfrentando um verdadeiro temporal. De repente, o carro derrapou, Sheila perdeu o controle da direção, o carro bateu em um poste e a noiva morreu instantaneamente. Sandra quebrou alguns ossos, mas sobreviveu. Ou seja, sobreviveu fisicamente. Sua psique, no entanto, focou gravemente ferida.

Até hoje, vinte anos depois, Sandra é atormentada pelo que aconteceu naquele dia. “Se ao menos eu estivesse dirigindo”, queixou-se ela, “Sheila ainda estaria viva.”

Fiz algumas perguntas a Sandra enquanto conversava com ela. “Você tem certeza absoluta de que Sheila teria sobrevivido se você estivesse na direção? Você sabia que ia acontecer um acidente? Você sabia que ela ia morrer? Você sabia que iria sobreviver e ela não?” a resposta a todas essas perguntas foi não.

“Não, mas eu estou viva e ela morreu!”

Estava claro que Sandra ainda era incapaz de se livrar da culpa. Perguntei: “Se as coisas tivessem acontecido ao contrario e você tivesse morrido, o que você gostaria que Sheila lhe dissesse? Em outras palavras, se em vez de você, fosse ela que estivesse aqui, e você pudesse falar com ela, o que lhe diria? Se você visse sua amiga, décadas depois, ainda atormentada pela culpa, o que você lhe diria a respeito do acidente?”

Sandra levou um minuto para realmente se colocar no lugar da amiga.
“Eu diria: era eu que estava dirigindo, e eu era responsável pelas minhas decisões. Ninguém me obrigou a dirigir e ninguém poderia ter me impedido. Era o dia do meu casamento e eu não teria aceito um não quando disse que queria dirigir”. Os olhos de Sandra se encheram de lagrimas e ela continuou: “Eu diria: Não foi sua culpa. Aconteceu. Não quero que você desperdice a sua vida se sentindo culpada”.

 

Gostava tanto de você

Não sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar
Você marcou a minha vida
Viveu, morreu na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão que em minha porta bate
E eu gostava tanto de você
Gostava tanto de você
Eu corro e fujo destas sombras
Em sonhos vejo esse passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver para não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você
E eu gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Comentário:

Antigamente, quando ouvia esta música, não prestava muita atenção na letra, por achar que era mais uma música sobre um cara que foi abandonado pela mulher que amava, como muitas outras canções falavam...
Até que, um dia, descobri a verdadeira história.
Para quem não sabe, o autor de "Gostava tanto de você" não escreveu esta música por causa de uma mulher qualquer que o tinha abandonado, mas sim, para a filha dele que havia falecido.
Desde que eu soube desta história, esta música se transformou em uma das minhas preferidas...
Depois, releia a letra da música pensando no verdadeiro significado...
Estou enviando esta mensagem só para dizer:
Aproveite cada momento da sua vida ao máximo, passe o maior tempo possível com as pessoas que você ama(família, amigos e amores) e torne estes momentos inesquecíveis.
Pode ser a última vez que vocês estejam juntos...
Vivendo e aprendendo... A cada dia que se passa na minha vida se fortalece a idéia de que devemos aproveitar cada dia, cada minuto de nossa vida, como se fosse o último, porque ele realmente pode ser.
Não devemos dar muita importância ao que os outros vão pensar ou falar... o que importa é sermos realmente felizes, não importando o quanto você possa parecer bobo ou errado, frente aos olhos de quem nunca vai saber o que realmente se passa em sua mente ou no seu coração...
Aproveitem as suas vidas! Deus fez esse mundo maravilhoso e nos deu de presente!
Problemas... esses todos temos, podem ter certeza! A diferença é saber que um dia todos eles, mais cedo ou mais tarde, vão se resolver, e, provavelmente, daí surgirão outros. Não podemos ficar esperando a ausência de problemas para sermos felizes!
A felicidade está aí, de graça e para quem quiser tê-la, o que precisamos é saber enxergá-la em cada pequeno presente que recebemos o tempo todo em nossas vidas!

"A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego... de tanto rir... de surpresa... de êxtase... de felicidade..."

 

Parábola: da lagarta à borboleta

Imagine uma lagarta. Passa grande parte de sua vida no chão, olhando os pássaros, indignada com seu destino e com a sua forma. "Sou a mais desprezível das criaturas ", pensa. "Feia, repulsiva, condenada a rastejar pela terra". Um dia, entretanto, a Natureza pede que faça um casulo. A lagarta se assusta - jamais fizera um casulo antes. Pensa que está construindo um túmulo, e prepara-se para morrer. Embora indignada com a vida que levou até então, reclama novamente com Deus. - " Quando finalmente me acostumei, o Senhor me tira o pouco que tenho. " Desesperada, tranca-se no casulo e aguarda o fim. Alguns dias depois, vê-se transformada numa linda borboleta. Pode passear pelos céus, e ser admirada pelos homens. Surpreende-se com o sentido da vida e com os desígnios de Deus.

(Paulo Coelho)


A renovação da águia

A ciência diz que a águia, entre todas as aves, é a que possui a maior longevidade, chegando algumas espécies a viver até 70 anos.

Mas não são todas águias que alcançam essa idade. Ao redor dos 40 anos, devido ao seu processo natural de vida e de desgaste pelo tempo, a águia encontra-se na seguinte condição:

- Suas unhas estão compridas e flexíveis, não mais permitindo-a agarrar e prender as presas das quais se alimenta;
- Seu bico está alongado, pontiagudo e mais encurvado para baixo, dificultando assim sua função original de rasgar e cortar os alimentos;
- Suas asas estão curvadas e apontando contra o peito, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, dificultando assim o desempenho de seus vôos majestosos em busca de alimento.

Nestas condições, voar e continuar vivendo torna-se-lhe um processo muito difícil! Então, respondendo ao instinto da vida, a sábia natureza incute-lhe uma questão que (instintivamente) obriga-lhe a uma séria e difícil decisão, propondo-lhe duas alternativas:

1 - Aceitar esta condição como irreversível e entregar-se ao processo lento e destruidor da morte, ou

2 - Enfrentar um dolorido processo de renovação, o qual irá durar aproximadamente 150 dias.

Esse processo consiste em se aventurar em uma última caçada e, após obter sucesso, voar com a caça para um antigo ninho, no alto de uma montanha, próximo a um paredão, onde ela se recolherá e terá o abrigo e o alimento necessário para manter-se viva durante o processo pelo qual irá passar.

Após acomodar-se neste antigo ninho e estar bem alimentada, a águia começa a bater com o bico em uma das paredes próximas ao ninho, até conseguir arrancá-lo.

Após arrancá-lo, ela espera pacientemente o nascimento do novo bico, e com a força deste novo bico começa a arrancar suas velhas unhas, compridas e encurvadas pelo tempo.

Espera novamente com paciência e, quando as novas unhas começam a nascer, movida por um desejo instintivo, passa a arrancar, uma a uma, as velhas penas das asas e a partir daí aguarda, com uma paciência e confiança que nos é incompreensível, o processo renovador da natureza.

Todo este processo leva aproximadamente cinco meses e, quando a natureza completa o seu trabalho, a águia que optou por esta alternativa, aceitando este tremendo desafio, ganha o seu prêmio: sai para o famoso vôo da renovação e para uma nova vida de mais 30 anos."

O que podemos extrair deste fato natural?

Em nossa vida, são muitos os momentos em que encontramo-nos diante de grandes problemas de difícil solução e, diante deles, a nossa natureza sempre nos propõe duas opções:

1 - Aceitar passivamente o processo desgastante e destruidor do problema em si, com todas suas conseqüências intrínsecas, e morrer lentamente.

2 - Encarar o desafio de enfrentar o problema com audácia e coragem, confiando que a sábia natureza fará a sua parte, dispondo-nos de tudo o que lhe for possível, mas exigindo que também façamos a nossa parte.

Para sobreviver aos problemas e encontrar a solução que buscamos, devemos reconhecer e renovar tudo aquilo que já está velho, inútil e sem utilidade; coisas, hábitos, conceitos e idéias que podem ter-nos sido úteis no passado, mas que agora impedem-nos de seguir adiante.

Se acreditarmos na providência divina e persistirmos em fazer a nossa parte, conquistaremos a nossa vitória e o nosso prêmio!

A arte de ser feliz


Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade
que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.

Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio,
ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.

Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas,
e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

(Cecília Meireles)

A lição da águia

A águia empurrou gentilmente seus filhotes para a beirada do ninho.
Seu coração se acelerou com emoções conflitantes,
ao mesmo tempo em que sentiu a resistência dos filhotes a seus insistentes cutucões.
Por que a emoção de voar tem que começar com o medo de cair? Pensou ela.
O ninho estava colocado bem no alto de um pico rochoso.
Abaixo, somente o abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes.
E se justamente agora isto não funcionar?
Ela pensou. Apesar do medo, a águia sabia que aquele era o momento
Sua missão estava prestes a se completar restava ainda uma tarefa final: o empurrão.
A águia encheu-se de coragem.
Enquanto os filhotes não descobrirem suas asas não haverá propósito para a sua vida
Enquanto eles não aprenderem a voar não compreenderão o privilégio que é nascer águia.
O empurrão era o menor presente que ela podia oferecer-lhes.
Era seu supremo ato de amor. Então, um a um, ela os precipitou para o abismo.
E eles voaram! Às vezes, nas nossas vidas, as circunstâncias fazem o papel de águia.
São elas que nos empurram para o abismo.

Na rotina de cada dia

Na rotina de cada dia acostumamo-nos a ver todas as coisas
sempre do mesmo ângulo.
Aprendemos que cada objeto, cada coisa que nos cerca
possui determinada forma
e não questionamos aquilo que aprendemos um dia.
Nos ensinaram que uma rosa é uma flor bela e perfumada.
E não nos avisaram que a roseira tem espinhos.
Assim acontece com tudo na vida.
Não serão os espinhos que nos impedirão de sentir o perfume da rosa.
A vida pode nos surpreender com momentos difíceis,
mas nem por isso devemos perder o estímulo
para encontrar a felicidade.
Está em nossas mãos recriar o que recebemos do destino.
De que adianta ficarmos presos às lembranças dos fracassos?
De que adianta relembrarmos as dores sofridas?
Não olhe as cicatrizes com pena de si mesmo.
Veja-as como sinais de sua capacidade para superar as situações adversas.
Não deixe que o passado seja uma sombra que o impeça de enxergar o futuro.
Veja a vida com novos olhos.
Os olhos de quem acredita que no topo do galho espinhoso da roseira
existe uma rosa a ser admirada.


 

NÃO APRESSE A CHUVA
Ela tem seu tempo de cair
e saciar a sede da terra.

NÃO APRESSE O PÔR DO SOL
Ele tem seu tempo de anunciar o anoitecer
até seu último raio de luz.

NÃO APRESSE SUA ALEGRIA
Ela tem seu tempo para aprender
com a tua tristeza.

NÃO APRESSE SEU SILÊNCIO
Ele tem seu tempo de paz
após o barulho cessar.

NÃO APRESSE SEU AMOR
Ele tem seu tempo de semear
mesmo nos solos mais áridos do teu coração.

NÃO APRESSE SUA RAIVA
Ela tem seu tempo para diluir-se
nas águas mansas da tua consciência.

NÃO APRESSE O OUTRO
pois ele tem seu tempo para florescer
aos olhos do Criador.

NÃO APRESSE A SI MESMO
pois precisas de tempo
para sentir tua própria evolução.



Olhe para trás!


Veja os obstáculos que você já superou.

Veja quanto você já aprendeu
nesta vida e quanto já cresceu.

Olhe para frente!
Não fique parado,
levante-se quando tropeçar e cair.
Estabeleça metas,
tenha planos e prossiga
com firmeza.

Olhe para dentro!
Conheça seu coração e analise seus projetos;
mantenha puros seus
sentimentos.
Não deixe que o orgulho,
a vaidade e a inveja dominem seus
pensamentos e seu coração.

Olhe para o lado!
Socorra quem precisa de você.
Ame o próximo e seja sensível
para perceber as necessidades daqueles que o
cercam.

Olhe para baixo!
Não pise em ninguém...
perceba as pequenas coisas
e aprenda a valorizá-las.

Olhe para cima!
Há um Deus maior do que você,
que te ama muito
e tem todas as coisas sob seu controle.

Olhe para Deus!
Perceba a profundidade,
a riqueza e o poder da bondade divina.
Sinta esse Deus que olha por você
em todos os dias da sua vida!


Aprendendo a morrer...

A gente tem mesmo é que aprender a morrer todos os dias e a renascer quando a manhã se avizinha, antes que o sol nos flagre no processo. A gente tem mesmo que fazer isso e tentar escamotear o coração que anda aos pedaços, cansado dessa ciranda desgovernada.

No meio de uma gargalhada, por causa de um caco que a atriz colocou no texto, vem a lembrança da noticia do jornal, lida pela manhã. Uma mulher morreu sem atendimento, no saguão da casa de saúde, porque sua filha tinha atrasado o pagamento da mensalidade do plano. A gente lê a notícia e finge que não leu, é claro; aprende a morrer quietinho, pra poder renascer lá na frente, mas aquilo fica queimando dentro, como uma fogueira desatada na alma, e a gente cansa uma hora, dá um vinco no rosto, que na verdade é uma tradução do vinco do peito, do coração, do corpo todo, repuxado, abusado, triste.

Como é que uma coisa dessas pode acontecer? A gente se pergunta, em silêncio, secretamente, com vergonha da humanidade, com raiva de alguém que fez um juramento, que abraçou uma profissão tão bonita, tão nobre, essa de salvar vidas, de estender a mão e ajudar o criador na tarefa de aliviar os sofrimentos do mundo. A gente escuta isso tudo e finge que não escutou, mas morre um pouquinho. Morre e renasce lá na frente.

Eu já morri inúmeras vezes. Tantas, que já perdi a conta. Morri no dia em que descobri que o amor não era para sempre e morri outra vez, quando soube que nada tinha sobrado dos escombros, nem mesmo aquela amizade que a gente apregoa, na hora da dor. Depois de renascer, eu olhei prá trás e já não reconheci mais o objeto amado. E morri uma outra vez, ao descobrir que o meu coração era tão sem vergonha quanto o de qualquer um. Um coração vagabundo. Um coração capaz de esquecer.

Bem fazem os chineses que dizem eu te amo com todo meu fígado! É um órgão mais coerente. Mais afeitos às mudanças de estado. Provocado, ele cospe bílis e sai esverdeando o que outrora parecia ser uma realidade rósea. Eu te amo com todo o meu fígado! Deviam ensinar isso nas escolas! Morri outras vezes, também. Morri quando, há muito tempo atrás, um diretor me chamou num canto e me mandou embora da peça que eu estava ensaiando, com as palavras mais cruéis que alguém já me disse: eu só trabalho com gente de talento.

Saí daquele teatro com a sensação de que eu não seria capaz de dar dois passos. Saí dali e decretei a morte em vida, o luto desesperado. Mais na frente, quando ninguém estava olhando, eu renasci. Voei para longe daqui e voltei para recuperar a vida e o meu sonho. Morri quando minha mãe morreu e renasci na lembrança dela. Morri a cada noite no palco, as mortes das personagens, morri na televisão, de várias maneiras, morri na ficção e sempre me pareceu curioso ver a emoção de alguém ao olhar para aquela morte. Prá mim, sempre foi fácil interpretar esse tipo de cena. Sou calejado nesse ofício. Sei morrer como ninguém. E renasço adiante. Um pouco machucado, o passo vacilante, mas logo me aprumo.

É preciso aprender a morrer, senão a vida acaba antes de começar. Mas falando em vida, eis que volto para o Rio e encontro outra vez a luz dessa cidade. Não há céu como esse, não há luminosidade como essa, o ar carregado de iodo e sal, o presente que é o olhar para os lados e se deliciar com tanta beleza. Voltar para o Rio é, por si só, um renascimento. A gente cai na estrada, mas o Rio nos dá uma preciosa ajuda na hora da ressurreição.

Fico na varanda, olhando para a Lagoa e lembro da luz da Ilha do Governador. Eu juro que não estou exagerando, mas a luz daquele lugar é mágica. Foi ali, no começo de tudo, que eu aprendi a amar a luz. Foi ali que eu intuí que a luz daqueles céus se espalhava prá além da extensão de água e que era preciso seguir viagem. Na época, é claro, eu não sabia que tantas mortes me aguardavam pelo caminho. Tenho até hoje comigo, um pedaço de uma velha agenda, uma bobagem que eu rabisquei há muito tempo, no dia em que fiz dezessete anos. Ali, naquele pedaço de papel, há tanta esperança, tanta alegria e tanta coragem, que me comove olhar para alguém que eu fui, um aprendiz de vida, um aprendiz da morte.

Termino a crônica com algumas palavras de Gore Vidal. É o fim de seu romance Juliano e eu trago comigo, porque essas palavras aquecem minha alma e me fazem acordar novamente com esperança. Aí vão as palavras de Mr. Vidal: "A luz se foi e agora nada mais resta a não ser esperar por um novo sol, um novo dia, nascido do mistério do tempo e do amor do homem pela luz." Renasçam! Vale a pena!

(Miguel Falabella)

 

Regras para ser humano

Você receberá um corpo. Poderá gostar dele ou odiá-lo, mas ele será seu durante esta jornada.
Você aprenderá lições. Você está matriculado numa escola informal de período integral chamada vida.
A cada dia nesta escola, terá a oportunidade de aprender lições.
Você poderá gostar dessas lições ou considerá-las irrelevantes ou estúpidas. Não existem erros, apenas lições.
O crescimento é um processo de tentativa e erro: experimentação.
As experiências que não deram certo fazem parte do processo, assim como as bem-sucedidas.
Cada lição será repetida até que seja aprendida.
Cada lição será apresentada a você de diversas maneiras, até que a tenha aprendido.
Quando isto ocorrer, poderá passar para a seguinte. O aprendizado nunca termina.
Não existe parte da vida que não contenha lições. Se você está vivo, há lições para aprender.
Você não pode amar ou detestar algo em outra pessoa,
a menos que isso reflita algo que você ama ou detesta em si mesmo.
O que fizer de sua vida é responsabilidade sua. Você tem todos os recursos de que necessita;
o que fará com eles é de sua responsabilidade. A escolha é sua.
As respostas estão dentro de você. Tudo o que tem a fazer é analisar, ouvir e acreditar.
O pessimista queixa-se dos ventos, o otimista espera que eles mudem, o realista ajusta as velas.

 

O que é vida

... Se puderdes dizer-me o que é morte, então dir-vos-ei o que é vida.
Num campo observei uma bolota, uma coisinha aparentemente tão inútil. 
E na primavera vi esta bolota criando raizes, erguendo-se, sendo o começo de um carvalho em direção ao sol.
Certamente taxarieis de milagre, no entanto este milagre se renova milhares de vezes na sonolência de cada outono e na paixão de cada primavera.
Porque ela não se renovaria no coração do homem?
Não deveriam as estações se encontrarem na mão ou nos lábios de um Homem Sagrado?
Se nosso Deus deu à Terra a arte de aconchegar a semente enquanto a semente parece morta, 
porque não daria Ele ao coração do homem vida para soprar num outro coração, 
mesmo num coração aparentemente morto?
Khalil Gibran - As Últimas Horas de Gibran


O essencial é invisível aos olhos

O bosque estava quase deserto quando um homem se sentou para ler em baixo dos longos ramos de um velho carvalho.
Estava desiludido da vida, com boas razões para chorar, pois o mundo estava tentando afundá-lo.
E como se já não tivesse razões suficientes para arruinar o seu dia, um garoto chegou, ofegante, cansado de brincar.
Parou na sua frente, de cabeça baixa e disse, cheio de alegria:
- Veja o que encontrei!
O homem olhou desanimado e percebeu que na sua mão havia uma flor.
Que visão lamentável! Pensou consigo mesmo.
A flor tinha as pétalas caídas, folhas murchas, e certamente nenhum perfume.
Querendo ver-se livre do garoto e de sua flor, o homem desiludido fingiu um pálido sorriso e virou-se para o outro lado.
Mas ao invés de recuar, o garoto sentou-se ao seu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa:
- O cheiro é óptimo, e é bonita também...
- Por isso a peguei. Tome! É sua.
A flor estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas ele sabia que tinha que pegá-la, ou o menino jamais sairia dali.
Então estendeu a mão para pegá-la e disse, um tanto contrafeito:
- Era o que eu precisava.
Mas, ao invés de colocá-la na mão do homem, ele a segurou no ar, sem qualquer razão.
E naquela hora o homem notou, pela primeira vez, que o garoto era cego e que não podia ver o que tinha nas mãos.
A voz lhe sumiu na garganta por alguns instantes...
Lágrimas quentes rolaram do seu rosto enquanto ele agradecia, emocionado, por receber a melhor flor daquele jardim.
O garoto saiu saltitando, feliz, cheirando outra flor que tinha na mão, e sumiu no amplo jardim, em meio ao arvoredo.
Certamente iria consolar outros corações, que embora tenham a visão física, estão cegos para os verdadeiros valores da vida.
Agora o homem já não se sentia mais desanimado e os pensamentos lhe passavam na mente com serenidade.
Perguntava-se a si mesmo como é que aquele garoto cego poderia ter percebido sua tristeza a ponto de aproximar-se com uma flor para lhe oferecer.
Concluiu que talvez a sua auto-piedade o tivesse impedido de ver a natureza que cantava ao seu redor, dando notícias de esperança e paz, alegria e perfume...
E como Deus é misericordioso, permitiu que um garoto privado da visão física o despertasse daquele estado depressivo.
E o homem, finalmente, conseguira ver, através dos olhos de uma criança cega, que o problema não era o mundo, mas ele mesmo.
E ainda mergulhado em profundas reflexões, levou aquela feia flor ao nariz e sentiu a fragrância de uma rosa...


***

Verdadeiramente cego é todo aquele que não quer ver a realidade que o cerca.
Tantas vezes, pessoas que não percebem o mundo com os olhos físicos,
penetram as maravilhas que os rodeiam e se extasiam com tanta beleza.
Talvez tenha sido por essa razão que um pensador afirmou que "o essencial é
invisível aos olhos."



A morte de cada dia !


"Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e precisamos morrer todo dia.
A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação.
Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio! 
A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo.
É a fronteira entre o passado e o futuro ..." 
Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. 
Quer ser um bom profissional?
Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas. 
Quer ter um bom relacionamento?
Então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinho, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém.
Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior. 
E, qual o risco de não agirmos assim?
O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo essa produtividade, e, por fim, prejudicando nosso sucesso. 
Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. 
Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos acabados, híbridos, adultos infantilizados".
Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não
matemos as virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: 
- brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc.
Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar atitudes infantis, para passarmos a agir como adultos.
Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluído? 
Então, o que você precisa matar em si, ainda hoje, para que nasça o ser que você tanto deseja ser !?

Pense nisso e morra!

Mas, não esqueça de nascer melhor ainda!

O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Fernando Pessoa 


Jóias devolvidas


Narra antiga lenda árabe, que um rabi, religioso dedicado, vivia muito feliz com sua família. Esposa admirável e dois filhos queridos. 
Certa vez, por imperativos da religião, o rabi empreendeu longa viagem ausentando-se do lar por vários dias. 
No período em que estava ausente, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados. 
A mãezinha sentiu o coração dilacerado de dor. No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura. 
Todavia, uma preocupação lhe vinha à mente: como dar ao esposo a triste notícia? 
Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca, temia que não suportasse tamanha comoção. 
Lembrou-se de fazer uma prece. Rogou a Deus auxílio para resolver a difícil questão. 
Alguns dias depois, num final de tarde, o rabi retornou ao lar. 
Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos... 
Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos moços. 
Alguns minutos depois estavam ambos sentados à mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos. 
A esposa, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido: deixe os filhos Primeiro quero que me ajude a resolver um problema que considero grave. 
O marido, já um pouco preocupado perguntou: o que aconteceu? Notei você abatida! Fale! Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus. 
- Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas jóias de valor incalculável, para que as guardasse. São jóias muito preciosas! Jamais vi algo tão belo! 
- O problema é esse! Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei a elas. O que você me diz? 
- Ora mulher! Não estou entendendo o seu comportamento! Você nunca cultivou vaidades!... Por que isso agora? 
- É que nunca havia visto jóias assim! São maravilhosas! 
- Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolvê-las. 
- Mas eu não consigo aceitar a ideia de perdê-las! 
E o rabi respondeu com firmeza: ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo! 
- Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo. 
- Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito. 
- As jóias preciosas eram nossos filhos. 
- Deus os confiou à nossa guarda, e durante a sua viagem veio buscá-los. Eles se foram. 
O rabi compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa, e juntos derramaram grossas lágrimas. Sem revolta nem desespero. 
Os filhos são jóias preciosas que o Criador nos confia a fim de que as ajudemos a burilar-se. 
Não percamos a oportunidade de enfeitá-las de virtudes. Assim, quando tivermos que devolvê-las a Deus, que possam estar ainda mais belas e mais valiosas. 



Luto e renascimento

A equipe de psicólogos e psicanalistas que trabalha em um grande hospital me pede uma palestra sobre perdas. A perda de uma pessoa amada ou a perda da própria saúde, e a proximidade imediata da morte. Que lhes podia dizer, a eles, competentes profissionais que enfrentavam diariamente os rios de dor, medo, esperança e morte que afluem a um grande hospital? Nisso todos eles, mesmo os jovens, tinham muito mais experiência do que eu. Então procurei ser simples. Falar das naturais dificuldades em lidar com qualquer perda. Primeiro, não queremos perder. É lógico não querer perder. Não deveríamos ter de perder nada: nem saúde, nem afetos, nem pessoas amadas. Mas a realidade é outra: experimentamos uma constante alternância de ganhos e perdas. Segundo, perder dói mesmo. Não há como não sofrer. É tolice dizer "não sofra, não chore". A dor é importante, também é o luto - desde que isso não nos paralise demasiado por demasiado tempo para o que ainda existe em torno de nós. Terceiro, precisamos de recursos internos para enfrentar tragédia e dor. O apoio dos outros, o abraço, o ouvido e o colo, até a comida na boca são relativos e passageiros. A força decisiva terá de vir de nós: de onde foi depositada nossa bagagem. Lidar com a perda vai depender do que encontraremos ali. Se crescem árvores sólidas ou apenas alguma plantinha rasteira, teremos muito ou pouco com o que nos nutrir e em que nos apoiar. A tragédia faz emergir forças insuspeitadas em algumas pessoas. Por mais devorador que seja, o mesmo sofrimento que derruba faz voltar a crescer. Para outros, tudo é destruição. No seu vazio interior sopra o vento da revolta e amargura. A perda os atinge como uma injustiça pessoal e uma traição da vida. Sob o golpe da notícia de uma doença grave, ao saber que se pode morrer em breve ou perder a pessoa amada, a gente bate a cabeça contra uma parede alta e fria. Não falo do que é ainda mais sério: não ver mais sentido em nada. Porque até o dia da perda vivemos sem pensar. Corremos desnorteados no tempo em tínhamos, sem refletir e quem sabe sem valorizar isso que agora perdemos: uma pessoa, a saúde, amor, posição, tudo. Se vivemos superficialmente , na hora de meter as mãos em nosso interior encontramos desolação. Não acho que todos devêssemos ser filósofos, eremitas ou fanáticos de nenhuma religião. Não acredito em poses e posturas. Não acredito nem mesmo em muita teorização sobre a vida, a morte, a dor. Mas acredito em afetos e tenho consciência de que somos parte de um misterioso ciclo vital que nos confere significação. E que dentro dele, sendo insignificantes, temos importância. Nesse debate sobre perdas observei como lidamos mal com a dor uns dos outros. Entre nós de momento estar alegrinho e parecer feliz é quase um dever, uma questão de higiene, como tomar banho e estar perfumado. Mas às vezes a gente tem de se permitir sofrer - ou permitir que o outro sofra. Todos nós, amigos, família, terapeutas, médicos, sentimos duramente nossa própria limitação quando alguém sofre e não podemos ajudar. Em certos momentos é melhor não tentar interferir, apenas oferecer nossa presença e atender se formos chamados. Que o outro saiba que estamos ali. Mas não (se) permitir o prazo normal de dor é irreal. Quando é hora de sofrer não teremos de pedir licença para sentir - e esgotar - a dor. Sofrimento, pobreza, doença, abandono, morte - são ameaças, corpos estranhos numa sociedade cujos lemas parecem ser agitar, curtir, não parar, não pensar, não sofrer. A dor incomoda. A quietude perturba. O recolhimento intriga e incomoda os demais: "Ele deve estar doente, deve estar mal, vai ver é depressão, quem sabe um drinquezinho, uma nova amante, um novo namorado..." Para não se inquietarem, para não terem de "parar para pensar", ou porque apenas nos amam e nosso sofrimento os perturba, a toda hora nos dão um empurrãozinho: "Reaja, vamos, saia de casa, pára de chorar, bote um vestido bonito, vamos ao cinema, vamos jantar fora." Também para isso haverá uma hora certa. O luto é necessário - ou a dor ficará soterrada debaixo da futilidade, sua raiz enterrando-se ainda mais fundo, seu fogo queimando nossas últimas reservas de vitalidade, e fechando todas as saídas. Não vou me alegrar jantando fora quando perdi meu amor, perdi minha saúde, perdi meu amigo, perdi meu emprego, perdi minha ilusão... perdi algo que dói, seja o que for. Então, por um momento, uma semana, um mês ou mais, me deixem sofrer. Permitam-me o luto no período sensato. Me ajudem não interferindo demais. O telefonema, a flor, a visita, o abraço, sim, mas por favor, não me peçam alegria sempre e sem trégua. Se não formos demais doentes nem perversos, a dor por fim se consumirá em si mesma. Se soubermos escutar o chamado - que pode ser até mesmo um bilhete amigo. Alguma coisa positiva vai nos fazer dar o primeiro passo para fora da UTI emocional em que a perda nos colocou. Um dia espiamos para o corredor, passamos da UTI para um quarto, finalmente olhamos a rua e estamos de novo em movimento. Ainda estamos vivos, ainda em processo, até morrer. A perda do amor pelo fim do amor, por abandono ou traição, supera toda a nossa filosofia de vida, nossos valores, independente de nós. Nada conforta, nada consola. Como o outro está ainda ali, vivo, talvez com outra pessoa, nossa mágoa e sentimento de rejeição se misturam à inconformidade e às tentativas, eventualmente danosas, de recuperarmos quem não nos quer mais. Muitas vezes, mais do que sonhávamos, um novo amor nos aguarda. Quando ele não aparece e se esgota o tempo, embora sempre seja tempo de amar, aprendemos que há outras formas de amar. Não substituem, mas iluminam: amigos, família, alguma novidade, um interesse. Quem sabe perder nos faça amar melhor isso que só nos será tirada no último instante: a própria vida. Perda de saúde se compensa com lenitivos ou melhoras que a medicina traz. Perda de dinheiro ou emprego podem ser remediados, ainda que exijam novos limites e condições. Perda da juventude tem a ver com o quanto somos vazios ou o quanto são estreitos nossos horizontes. Mas a perda do amor levado pela morte é a perda das perdas. Ela nos obriga a andar por cenários do nosso interior mais desconhecido: o das nossas crenças, nossa espiritualidade, nossa transcendência em suma. Aprender a perder a pessoa amada é afinal aprender a ganhar a si mesmo, e ganhar, de outra forma - realmente assumindo -, todo o bem que ela representava ( mas no cotidiano a gente nem se dava conta ). Uma amiga querida viveu uma experiência semelhante à de tantas mulheres dedicadas: acompanhar a longa doença de quem um dia foi belo e atraente e bom, foi senhor de si. Mas agora se deteriora aos poucos, sente pavor, quer viver, luta entre otimismo impossível ou desalento patético. Podemos chorar com ele ou usar a máscara da serenidade. Falar, calar, contestar - às vezes fugir -, cada caso é absolutamente e intimamente especial. O enfrentamento final não é um fato inesperado, muito menos isolado. É apenas o último de uma longa série de fatos concretos e de conquistas interiores: cada um fez o seu caminho - no sentido literal. Passamos pelo suplício da pompa e circunstância de velório e enterro (sobretudo para quem fica exposto ao público), e sobrevém esse estranhíssimo, mais doloroso aspecto da morte: o silêncio do morto. Não há palavra amiga nem gesto que possam ajudar. É preciso esperar a ação do tempo - que não é apenas um devorador de dias e horas, mas um enfermeiro eficiente. " Você escreve obsessivamente sobre a morte por quê?", pergunta o jornalista. Não, eu não escrevo obsessivamente sobre a morte, mas sobre a vida. Da qual ela faz parte. Escrevo sobre o amor e a vida em todas as formas. Assim também necessariamente falo na morte. Fazendo aqui um pouco de literatura, posso dizer que a morte é que escreve sobre nós - desde que nascemos ela vai elaborando connosco o nosso roteiro. Ela é a grande personagem, o olho que nos contempla sem dormir a voz que nos convoca e não queremos ouvir, mas pode nos revelar muitos segredos. O maior deles há de ser: a morte torna a vida tão importante! Porque vamos morrer precisamos dizer hoje que amamos, fazer hoje o que desejamos tanto, abraçar hoje o filho ou o amigo. Temos de ser decentes hoje, generosos hoje ... devíamos tentar ser felizes hoje. A morte não nos persegue: apenas espera, pois nós é que corremos para o colo dela. O modo como vamos chegar lá é coisa que podemos decidir em todos os anos de nosso tempo. O melhor de tudo é que ela nos lembra da nossa transcendência. Somos mais que corpo e ansiedade: somos mistério, o que nos torna maiores do que pensamos ser - maiores do que os nossos medos. Quando se aproxima dessa zona do inaudito, o amor tem de se curvar: com dor, com terror, submete-se a essa prova maior. Começa a ser ternura; aproxima-se de alguma coisa chamada permanência. Se acreditamos que viver é só comer, trabalhar, transar, comprar e pagar contas, a morte da pessoa amada será desespero sem remissão. Não nos conformamos, não acreditamos em mais nada. Mas se tivermos alguma visão positiva do todo do qual faz parte a indesejada, insondável mas inevitável transformação na morte, depois de algum tempo o amado acomoda-se de outro jeito em nós: continua parte da nossa realidade. Está transfigurado, porém ainda existe. "Com o passar dos anos dói menos", disse-me um amigo que há trinta anos perdera uma filha ainda criança. Conheço um pouco a Senhora Morte. Duas vezes a Bela Dona me pegou duro, me cuspiu na cara, me jogou no chão. Foi-se a cada vez um pedaço importante de mim. Mas como em certos animais, as partes perdidas se refizeram, diferentes - não me sinto mutilada, embora a cada dia sinta em mim aqueles espaços vazios que não voltarão a ser ocupados. Aprendi que a melhor homenagem que posso fazer a quem se foi é viver como ele gostaria que eu vivesse: bem, integralmente, saudavelmente, com alegrias e projetos até impossíveis.
Não sejamos demasiadamente fúteis nem medrosos, porque a vida tem tem de ser sorvida não como uma taça que se esvazia, mas que se renova a cada gole bebido.Refletir é transgredir a ordem do superficial. Somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases do processo. Estamos nele como as árvores da floresta: uma é atingida em plena maturidade e potência, e tomba. Outra nem chega a crescer, e fenece; outra, velhíssima, retorcida e torturada, quase pede enfim para descansar... mas ainda pode ter dignidade e beleza na sua condição. Nestas páginas falei da passagem do tempo que aparentemente tudo leva e tudo devolve como as marés, mas que só nos afoga na medida em que permitirmos. Falei do tempo que faz nascer e brotar, porém é visto como ameaça e sofrimento - o tempo que precisa ser domesticado para não nos aniquilar. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. Viver como talvez morrer é recriar-se a cada momento. Arte e artifício, exercício e invenção no espelho posto à nossa frente ao nascermos. Algumas visões são miragens: ilhas de algas flutuantes que nos farão afundar. Outras pendem em galhos altos demais para a nossa tímida esperança. Outras ainda rebrilham, mas a gente não percebe - ou não acredita. A vida não está aí apenas para ser suportada ou vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Não é preciso realizar nada de espetacular. Mas que o mínimo seja o máximo que a gente conseguiu fazer consigo mesmo.

Lya Luft, em Perdas e Ganhos



A vida é como uma estrada

A vida é como uma estrada, onde viajamos com destino à perfeição. Cada pessoa percorre um caminho particular, onde o final é sempre o mesmo. Se sua estrada é acidentada, cheia de abismos, de curvas e obstáculos e a de outrem, no entanto, é tranquila, recta e sem obstáculos, não inveje a estrada alheia. Siga em frente com paciência, calma e vigilância. Supere os obstáculos, desvie-se dos abismos e faça as curvas com segurança. Lembre-se, porém, de que as estradas rectas e tranquilas são sempre enfadonhas e monótonas e, geralmente, os viajantes deste caminho privilegiado costumam dormir ao volante...
Quando te sentires tão sozinho e parecer que estás só no mundo...
Quando não sentires nada mais dentro de ti além do vazio enorme da solidão e da amargura...
Quando achares que a vida não tem mais sentido e que nada mais vale a pena...
Quando te sentires perdido em vibrações negativas, pois já esgotaste todos os recursos no sentido de te sentires melhor...
Não mergulhes nesta dor imensa, pois ela gera a apatia e afasta todas as emanações positivas, as ondas amorosas e também aos amigos, que tentam de ti se aproximar.
Faz um esforço e tenta olhar a tua volta, busca em ti mesmo a luz que sempre está presente em volta de todos nós e que não conseguimos enxergar por nos acharmos presos e cegos às nossas lágrimas.
Faz um esforço, avança em direcção a ti mesmo em busca de tua força, abre teu coração e enxerga a todos como irmãos vivendo dentro do mesmo sistema, sujeitos aos mesmos erros, as mesmas dores. Neste momento não estarás sozinho em teu sofrimento e nem é ele o maior de todos.
Permite que a tua luz brilhe dentro de ti. Permite que essa luz se expanda envolvendo outros seres.
Abrigas em teu coração conhecimentos que através da dor conseguiste, portanto, estás apto a doar e estender as mãos, acariciando a irmãos que neste momento necessitam de toda a aprendizagem que haverás de ter se te permitires tirar de toda esta dor o conhecimento e transformá-lo em um gesto de amor.

 

História

"Havia um rapaz que vivia com o pai, em extremas dificuldades. O pai era cego. O miúdo treinava numa equipa de futebol, no bairro, e o pai acompanhava-o sempre. Sentava-se sempre no mesmo banco e não se cansava de incentivar o filho quando percebia, pelo que ouvia, que ele fazia parte da jogada. Um dia, o miúdo foi sozinho para o treino. Pela primeira, em tantos anos, o pai não foi com ele, não iria mais, tinha partido... Este rapaz nem sequer jogava bem, não tinha lugar na equipa, os companheiros jogavam melhor que ele. No domingo seguinte, jogava-se a grande final, em casa. Do banco dos suplentes, o rapaz olhava para aquele lugar vazio, na bancada. O olhar vidrado, alheio à emoção do encontro e ao facto de estarem a perder naquele jogo tão decisivo para o clube. De repente, levanta-se, agarra o braço do treinador, com força e diz-lhe: - Mestre, deixe-me jogar! - Tem juízo, tu... hoje? Não vês que... - Mestre, por favor, suplico-lhe, deixe-me jogar. Entrou e... não era o mesmo! Corria como nunca, os passes perfeitos, contornava os adversários e imparável marcou um golo, outro golo e outro... Estava toda a gente boquiaberta, não queriam acreditar, ganharam o jogo e levantaram-no em braços. Passado o êxtase, o treinador chamou-o a um cantinho do balneário, ainda incrédulo com o que tinha visto: - Olha para mim, de frente, e diz-me o que é que se passou contigo hoje. Tu nunca jogaste assim, que é que aconteceu? Com os olhos a brilhar e um fantástico sorriso, o rapaz respondeu: - É que hoje, mestre, hoje finalmente, o meu pai pôde ver-me jogar!"